Milhares marcham em Havana contra agressões dos EUA e em defesa da Revolução

Juventude cubana participa da Marcha das Tochas, em Havana, em protesto contra as ameaças dos Estados Unidos e em defesa da soberania e da Revolução Cubana.

Juventude cubana toma as ruas de Havana em protesto contra as intimidações da Casa Branca. Foto: Reprodução

Milhares de cubanos marcharam pelas ruas de Havana na noite desta terça-feira (27) em protesto contra as ameaças e agressões dos Estados Unidos à soberania da ilha. A mobilização integra a tradicional Marcha das Tochas e foi marcada pelo enfrentamento ao imperialismo norte-americano e pela defesa do projeto revolucionário cubano.

A marcha reuniu majoritariamente jovens estudantes, que percorreram ruas da capital portando tochas e bandeiras cubanas, em um trajeto que incluiu a escadaria da Universidade de Havana, local simbólico da mobilização estudantil no país. 

O presidente Miguel Díaz-Canel participou do ato e caminhou ao lado dos manifestantes.

Realizada tradicionalmente na noite de 27 de janeiro, véspera do aniversário de nascimento de José Martí, a Marcha das Tochas é um dos atos políticos mais emblemáticos do calendário cubano. 

A mobilização remete à marcha organizada em 1953 por estudantes liderados por Fidel Castro, então universitário, em desafio à ditadura de Fulgencio Batista.

Em 2026, a marcha adquiriu um significado político ampliado ao coincidir com o ano do centenário de nascimento do líder histórico da Revolução Cubana. 

O ato ocorre em meio à escalada recente das tensões entre Havana e Washington, intensificada após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela no início de janeiro, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, aliado histórico de Cuba. 

Desde então, o governo norte-americano ampliou o tom de pressão sobre a ilha caribenha, combinando ameaças políticas, endurecimento diplomático e sinais de isolamento econômico.

Nos dias que se seguiram à ofensiva contra Caracas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a afirmar publicamente que Cuba deveria “chegar a um acordo” com Washington, sem especificar os termos ou a natureza dessa exigência. 

Em Havana, as declarações foram interpretadas como parte de uma estratégia de intimidação regional, voltada a enfraquecer governos que resistem à hegemonia norte-americana no continente.

A combinação das homenagens a Martí e a Fidel reforça o caráter de continuidade histórica do projeto revolucionário, articulando independência nacional, soberania e resistência ao imperialismo.

Durante o ato, lideranças estudantis destacaram que a mobilização não se restringe a um ritual simbólico. “Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, afirmou Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários (FEU), diante de milhares de jovens reunidos na Universidade de Havana.

Os jovens ressaltaram que a mobilização reafirma o compromisso com a defesa da soberania cubana em um cenário internacional marcado por novas formas de agressão política, econômica e militar.

Mesmo em meio às dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, agravadas pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, manifestantes destacaram que a pressão externa não enfraqueceu o apoio popular ao projeto revolucionário. 

“Podemos ter milhares de problemas, mas os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz”, afirmou um trabalhador que participou do ato em Havana.

A Marcha das Tochas também incorporou uma dimensão regional explícita, com manifestações de solidariedade ao povo venezuelano e exigências pela libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. 

Cartazes e palavras de ordem denunciaram a ação dos Estados Unidos como uma violação dos direitos humanos e da soberania de um país latino-americano.

Manifestantes afirmaram que a ofensiva contra a Venezuela representa uma ameaça não apenas a Caracas, mas a todos os países que buscam caminhos autônomos de desenvolvimento e integração regional. 

A defesa da soberania venezuelana foi apresentada como parte inseparável da luta anti-imperialista no continente.

“A ação realizada no dia três de janeiro pelos norte-americanos é um ato contra os direitos humanos”, declarou um dos participantes, ao exigir o retorno de Maduro ao seu país. Para os organizadores, a mobilização em Havana reforça o papel de Cuba como referência histórica de resistência às intervenções externas na América Latina.

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