Milhares marcham em Havana contra agressões dos EUA e em defesa da Revolução
Juventude cubana participa da Marcha das Tochas, em Havana, em protesto contra as ameaças dos Estados Unidos e em defesa da soberania e da Revolução Cubana.
Publicado 29/01/2026 08:41 | Editado 30/01/2026 12:52
Milhares de cubanos marcharam pelas ruas de Havana na noite desta terça-feira (27) em protesto contra as ameaças e agressões dos Estados Unidos à soberania da ilha. A mobilização integra a tradicional Marcha das Tochas e foi marcada pelo enfrentamento ao imperialismo norte-americano e pela defesa do projeto revolucionário cubano.
A marcha reuniu majoritariamente jovens estudantes, que percorreram ruas da capital portando tochas e bandeiras cubanas, em um trajeto que incluiu a escadaria da Universidade de Havana, local simbólico da mobilização estudantil no país.
O presidente Miguel Díaz-Canel participou do ato e caminhou ao lado dos manifestantes.
Realizada tradicionalmente na noite de 27 de janeiro, véspera do aniversário de nascimento de José Martí, a Marcha das Tochas é um dos atos políticos mais emblemáticos do calendário cubano.
A mobilização remete à marcha organizada em 1953 por estudantes liderados por Fidel Castro, então universitário, em desafio à ditadura de Fulgencio Batista.
Em 2026, a marcha adquiriu um significado político ampliado ao coincidir com o ano do centenário de nascimento do líder histórico da Revolução Cubana.
O ato ocorre em meio à escalada recente das tensões entre Havana e Washington, intensificada após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela no início de janeiro, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, aliado histórico de Cuba.
Desde então, o governo norte-americano ampliou o tom de pressão sobre a ilha caribenha, combinando ameaças políticas, endurecimento diplomático e sinais de isolamento econômico.
Nos dias que se seguiram à ofensiva contra Caracas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a afirmar publicamente que Cuba deveria “chegar a um acordo” com Washington, sem especificar os termos ou a natureza dessa exigência.
Em Havana, as declarações foram interpretadas como parte de uma estratégia de intimidação regional, voltada a enfraquecer governos que resistem à hegemonia norte-americana no continente.
A combinação das homenagens a Martí e a Fidel reforça o caráter de continuidade histórica do projeto revolucionário, articulando independência nacional, soberania e resistência ao imperialismo.
Durante o ato, lideranças estudantis destacaram que a mobilização não se restringe a um ritual simbólico. “Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, afirmou Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários (FEU), diante de milhares de jovens reunidos na Universidade de Havana.
Os jovens ressaltaram que a mobilização reafirma o compromisso com a defesa da soberania cubana em um cenário internacional marcado por novas formas de agressão política, econômica e militar.
Mesmo em meio às dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, agravadas pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, manifestantes destacaram que a pressão externa não enfraqueceu o apoio popular ao projeto revolucionário.
“Podemos ter milhares de problemas, mas os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz”, afirmou um trabalhador que participou do ato em Havana.
A Marcha das Tochas também incorporou uma dimensão regional explícita, com manifestações de solidariedade ao povo venezuelano e exigências pela libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Cartazes e palavras de ordem denunciaram a ação dos Estados Unidos como uma violação dos direitos humanos e da soberania de um país latino-americano.
Manifestantes afirmaram que a ofensiva contra a Venezuela representa uma ameaça não apenas a Caracas, mas a todos os países que buscam caminhos autônomos de desenvolvimento e integração regional.
A defesa da soberania venezuelana foi apresentada como parte inseparável da luta anti-imperialista no continente.
“A ação realizada no dia três de janeiro pelos norte-americanos é um ato contra os direitos humanos”, declarou um dos participantes, ao exigir o retorno de Maduro ao seu país. Para os organizadores, a mobilização em Havana reforça o papel de Cuba como referência histórica de resistência às intervenções externas na América Latina.