Israel usa guerra com o Irã para avançar sobre o Líbano

Incursão terrestre ocorre após bombardeios e violações do cessar-fogo de 2024, provoca deslocamento de mais de 30 mil civis e reabre frente ativa no sul libanês

Veículos militares israelenses próximos à fronteira entre Israel e Líbano, após nova escalada de confrontos entre Hezbollah e forças israelenses. Foto: Shir Torem

O regime sionista israelense iniciou nesta terça-feira (3) uma incursão terrestre no sul do Líbano, ampliando a guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã. A entrada por terra acontece depois de sucessivas ofensivas aéreas e da troca de ataques com o Hezbollah, que já resultaram em dezenas de mortos e no deslocamento de milhares de pessoas.

O Exército israelense já ocupava cinco pontos no sul do Líbano, em violação ao cessar-fogo de 2024 entre os militares e o Hezbollah. A entrada por terra acontece depois de sucessivas ofensivas aéreas e da troca de ataques com o Hezbollah, que já resultaram em dezenas de mortos e no deslocamento de milhares de pessoas.

A incursão amplia a presença militar israelense no sul do Líbano, onde tropas já mantinham posições desde 2024, apesar do cessar-fogo firmado em novembro daquele ano. A entrada por terra marca um novo estágio da escalada, com avanço sobre localidades próximas à fronteira.

Autoridades libanesas afirmaram que forças israelenses atravessaram a linha divisória, chamada de Linha Azul (Blue Line), traçada pela ONU em 2000 para confirmar a retirada israelense do território libanês, e avançaram centenas de metros em áreas ao sul do país. 

O movimento ocorreu sob cobertura de ataques aéreos que atingiram diferentes pontos do território libanês.

O governo do Líbano informou ter sido notificado previamente sobre a operação e passou a discutir cenários de ampliação da ofensiva.

Os ataques atingiram áreas residenciais no sul e nos subúrbios ao sul de Beirute. Prédios foram danificados e serviços interrompidos. Mais de 30 mil pessoas deixaram suas casas após a intensificação dos bombardeios, segundo dados divulgados por agências internacionais. 

Abrigos públicos em cidades como Saida ficaram lotados, e famílias passaram horas presas em congestionamentos nas rodovias que ligam o sul à capital. Parte dos deslocados dormiu em veículos por falta de acomodação.

A escalada ocorre dias após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O confronto, que até então se concentrava no eixo Israel-Irã, passa a envolver diretamente o território libanês.

 Desde o início das hostilidades contra Teerã, o sul do Líbano voltou a registrar trocas de ataques quase diárias, e a incursão terrestre consolida a abertura de uma frente ativa ao norte de Israel.

O Hezbollah declarou que Israel buscava uma “guerra aberta” e afirmou que “a era da paciência terminou”. 

O grupo anunciou ataques com drones e foguetes contra bases militares israelenses no norte do país e nas Colinas de Golã, afirmando que as ações foram uma resposta aos bombardeios contra cidades libanesas.

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