Israel intensifica ataques no Líbano e avança para ocupar o sul do país
Bombardeios, incursões e destruição de pontes isolam região; governo defende ocupação permanente do sul e expulsão de civis libaneses da área fronteiriça
Publicado 24/03/2026 11:07 | Editado 25/03/2026 17:11
O governo sionista de Israel intensificou nos últimos dias os ataques no Líbano, combinando bombardeios, incursões terrestres e destruição de infraestrutura estratégica. A escalada já deixou ao menos 1.039 mortos, 2.876 feridos e mais de um milhão de pessoas forçadas a abandonar suas casas, segundo autoridades libanesas.
As ações ocorrem em meio a declarações de integrantes do governo que defendem a ocupação do sul do país e a imposição de um controle militar permanente sobre a região, com deslocamento forçado da população e possível redefinição da fronteira libanesa.
A intensificação ficou mais evidente entre segunda (23) e terça-feira (24), com ataques sobre o sul do Líbano e a periferia de Beirute, além de tentativas de avanço por terra em áreas de fronteira.
Durante a noite, bombardeios atingiram bairros da capital, enquanto vilarejos do sul foram alvo de artilharia. Houve confrontos diretos entre tropas israelenses e combatentes do Hezbollah.
Também foram registradas incursões em localidades como Halta, na região de Al-Arqoub — área estratégica próxima à fronteira e às Colinas de Golã ocupadas — com invasão de casas, mortes de civis e sequestro de moradores.
Os ataques atingiram ainda edifícios residenciais em áreas como Bchamoun, nos arredores de Beirute, e campos de refugiados no sul do país.
O movimento no terreno é acompanhado por um discurso mais explícito no governo israelense. As declarações indicam uma mudança de patamar, com sinais de tentativa de ocupação e reconfiguração territorial no sul do Líbano, em um modelo semelhante ao adotado em Gaza.
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que “o Exército está avançando dentro do território libanês para estabelecer uma linha de defesa avançada que elimine combatentes do Hezbollah e destrua infraestruturas consideradas terroristas e casas em vilarejos libaneses próximos à fronteira”.
Ele também indicou que o deslocamento da população tende a se prolongar ao declarar que “centenas de milhares de moradores do sul do Líbano, evacuados para o norte, não retornarão às áreas ao sul do rio Litani até que seja garantida a segurança total dos habitantes do norte de Israel”.
No domingo (22), Israel bombardeou a ponte estratégica de Qasmiyeh, sobre o rio Litani, principal ligação entre o sul do Líbano e o restante do país. A ação ocorreu após ordem do governo para destruir travessias utilizadas na região.
Os ataques foram acompanhados por avanço de tropas com veículos blindados dentro do território libanês, sob cobertura de artilharia, ampliando o isolamento da região.
Outros integrantes da coalizão de governo defendem abertamente a redefinição da fronteira.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, propôs que “o Litani deve ser nossa nova fronteira com o Estado do Líbano” e afirmou que “a atual guerra no Líbano deve terminar com uma mudança radical, para além da derrota do grupo Hezbollah”.
Na mesma linha, declarou que “vamos empurrar [o inimigo] para longe em todas as frentes e criar um cordão de segurança estéril que separará o inimigo de nossos cidadãos”.