Lula exige libertação de Thiago Ávila e critica prisão feita por Israel
Presidente afirma que detenção do brasileiro em águas internacionais é “afronta ao direito internacional”; Justiça israelense prorrogou prisão até domingo
Publicado 06/05/2026 09:49 | Editado 06/05/2026 09:58
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu nesta terça-feira (5) a libertação imediata do ativista brasileiro Thiago Ávila, preso por Israel após a interceptação da flotilha humanitária Global Sumud, que seguia em direção à Faixa de Gaza.
Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a manutenção da prisão como uma “ação injustificável” do governo israelense e afirmou que o caso “deve ser condenado por todos”.
“A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional”, escreveu o presidente. Lula afirmou ainda que o Brasil atua em conjunto com o governo da Espanha — que também teve um cidadão detido — para exigir garantias de segurança e a soltura imediata dos ativistas.
Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha “Global Sumud”, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos. A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado…
— Lula (@LulaOficial) May 5, 2026
Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram presos após forças israelenses interceptarem embarcações da Global Sumud perto da Grécia, em águas internacionais.
Os navios haviam partido de Barcelona em 12 de abril com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária.
Mais de 100 ativistas foram levados para a ilha grega de Creta, enquanto os dois permaneceram sob custódia israelense.
Nesta terça, o Tribunal de Magistrados de Ashkelon prorrogou a prisão preventiva dos ativistas até domingo (10).
Segundo documentos judiciais, Israel acusa os dois de crimes como auxílio ao inimigo, contato com organização terrorista e fornecimento de meios a grupos considerados hostis pelo governo israelense.
A defesa, conduzida pela organização Adalah, afirma que não houve apresentação de acusação formal e sustenta que a detenção serve apenas para prolongar os interrogatórios.
A Adalah também afirma que Ávila e Abu Keshek estão em greve de fome desde a última quinta-feira (30) e denuncia que ambos permanecem em isolamento.
O caso provocou reação do Itamaraty, que já havia classificado a interceptação da flotilha como uma ação “flagrantemente ilegal” e uma violação do direito internacional. Ainda nesta terça-feira, foi confirmada a morte de Teresa Regina de Ávila, mãe do ativista brasileiro, enquanto ele segue detido em Israel.