Publicação de Trump expõe traição de Flávio Bolsonaro após taxa de 25%
Afago de republicano na rede social confirma sabotagem à economia nacional e anula imagem positiva que o clã bolsonarista buscava projetar
Publicado 03/06/2026 10:11 | Editado 03/06/2026 10:36
A postagem do ex-presidente Donald Trump em sua rede social, o Truth Social, na qual afagou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), converteu-se no pivô que desmascara os reais interesses da extrema direita brasileira. O afago virtual ocorreu na terça-feira (2), exatamente no mesmo dia em que ganhou publicidade a proposta do governo dos Estados Unidos de sobretaxar produtos brasileiros em até 25%, evidenciando a contradição da comitiva bolsonarista.
A publicação de Trump ocorreu exatamente uma semana após o encontro mantido com o parlamentar brasileiro no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, ocorrido na terça-feira (26). Na legenda que acompanhou as imagens oficiais do encontro privativo, Trump escreveu na conta oficial: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”. Nas fotos, além de Flávio, aparecem o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista de extrema direita Paulo Figueiredo.
Pretextos para taxar o Brasil
A ofensiva tarifária de Washington contra o Brasil baseia-se nas conclusões falaciosas de uma investigação conduzida sob a égide da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e concluída antes do prazo acordado. O documento emitido pelo embaixador Jamieson Greer, chefe da Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), formalizado na segunda-feira (1º), adota um tom protecionista ao apontar que práticas regulatórias e comerciais brasileiras são “irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA”.
Os pontos de atrito incluem o comércio digital e os serviços de pagamento eletrônico, sob a alegação de que multas contra redes sociais estadunidenses e um suposto favorecimento ao Pix prejudicam empresas dos EUA. O relatório da USTR cita ainda falhas no combate à corrupção, proteção de patentes farmacêuticas, quebra de acordos no mercado de etanol e desmatamento na Amazônia. Caso as divergências não sejam resolvidas até 15 de julho de 2026, a tarifa de 25% entrará em vigor sobre diversos produtos nacionais, exceto itens específicos como carnes, café e componentes aeronáuticos.
Vendilhões da pátria
A submissão da comitiva bolsonarista em Washington gerou forte reação nacional. Em Catalão (GO), na terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os parlamentares de “vendilhões da pátria” por tentarem negociar assuntos internos no exterior.
O post de Trump funcionou como o estopim para que o Palácio do Planalto e movimentos sociais denunciassem a postura submissa e lesiva à soberania nacional adotada pelos parlamentares de oposição em solo estadunidense. Nas redes sociais, a reação foi imediata e o termo TariFlávio foi um dos mais utilizados.
O ataque estadunidense ao Pix gerou indignação até mesmo no setor financeiro. A Febraban defendeu a tecnologia como uma infraestrutura pública que estimula a concorrência e a inclusão, rechaçando o protecionismo de Washington. Analistas alertam que 21% das exportações brasileiras aos EUA correm risco com as sanções, principalmente, o agro, setor que abriga os principais apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Por causa da reação negativa, o pré-candidato bolsonarista alegou, sem mandato diplomático, que tratou da questão com Donald Trump, J.D. Vance e Marco Rubio, mesmo depois de ter tornado público que a visita a Trump foi para cometer outro ato de traição: pedir à nação estrangeira para se imiscuir na Segurança Pública brasileira com o enquadramento de facções nacionais do crime organizado como terroristas.
A carta em Flávio implora para que o governo Donald Trump não imponha novas tarifas, teve efeito contrário e resultou no anúncio da nova taxação aos produtos brasileiros, de 12,5%, sob pretexto de que o Brasil falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com “trabalho forçado”.