O Partido dos Trabalhadores ingressou, nesta quinta-feira (12), no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma queixa-crime contra a conduta dos procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro no episódio que envolveu a interceptação ilegal de um diálogo telefônico entre a então presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.
O STF (Supremo Tribunal Federal) se prepara para dar, a partir de outubro, duros recados à operação Lava Jato e ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Segundo ministros ouvidos pela Folha de S.Paulo, a pauta da corte deve ser tomada por julgamentos que podem tornar sem efeitos decisões do ex-juiz e da força-tarefa coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol. Apesar da imagem de “infalíveis” nos primeiros cinco anos da operação, Moro e a Lava Jato devem acumular, agora, uma série de derrotas.
O Ministério Público Federal (MPF) pediu duas vezes ao então juiz Sergio Moro operações contra a filha de um alvo da Lava Jato que vive em Portugal como forma de forçá-lo a se entregar. Apesar de ser titular de contas no exterior que receberam propinas, ela não era suspeita de planejar e executar crimes. É o que apontam mensagens de Telegram trocadas entre procuradores e divulgadas nesta quarta-feira (11) pelo site The Intercept Brasil.
A ausência do procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da Força-Tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, em debate realizado nesta terça-feira (10), na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara foi criticada por deputados da esquerda.
Por Christiane Peres, do PCdoB na Câmara
Há três meses, uma série de reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil e seus parceiros vem revelando a forma como procuradores da República e o então juiz Sergio Moro utilizaram politicamente a Operação Lava Jato. No entanto, apesar das revelações publicadas pela imprensa brasileira, até o momento não houve sanções aos envolvidos.
Por Christiane Peres, do PCdoB na Câmara
O registro de dados de contribuintes acessados por servidores da Receita Federal no início da Lava Jato foi apagado. É o que aponta um documento do Serviço Federal de Processamentos de Dados (Serpro), obtido pelo jornal Folha de S. Paulo.
Procuradores da Lava Jato desconsideraram uma grave denúncia de manipulação de escolha do relator do processo de cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso desde outubro de 2016. O relato da fraude foi feito por Cunha ao propor delação premiada. O procurador Orlando Martello mencionou supostas “bolas mais pesadas no sorteio da relatoria” do Conselho de Ética, conforme mensagens do Telegram obtidas pelo site The Intercept e analisadas pelo UOL.
O lançamento da candidatura de Augusto Aras à PGR (Procuradoria-Geral da República), em abril, deixou os procuradores da Lava Jato e colegas deles de outras regiões do país em polvorosa, diz ela.
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e integrantes da Lava Jato tentaram indicar para a chefia da PGR (Procuradoria-Geral da República) um nome fora lista tríplice e se deram mal. Deltan Dallagnol era a aposta. O próprio presidente Jair Bolsonaro confirmou que ouviu sugestão para indicá-lo, mas o julgou um xiita ambiental.
Por Kennedy Alencar
Os seis procuradores que fazem parte da força-tarefa da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República pediram demissão coletiva na noite desta quarta-feira (4).
O procurador Deltan Dallagnol planejou se candidatar ao Senado nas eleições 2018, revelam mensagens trocadas via Telegram e entregues ao Intercept por uma fonte anônima. Num chat consigo mesmo, que funcionava como espaço de reflexão do procurador, ele se considerou “provavelmente eleito”. Também avaliou que a mudança que desejava implantar no país dependeria de “o MPF lançar um candidato por Estado” – uma evidente atuação partidária do Ministério Público Federal, proibida pela Constituição.
Investigação da agência Pública em parceria com o Intercept analisou diálogos em que procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato pede recursos para empresários e indica doadores para o Instuto Mude, que teria função de combater a corrupção.
Por Alice Maciel, Bruna de Lara, Agência Pública/The Intercept Brasil