A situação do governo, neste momento, é a de quem vive um determinado tipo de crise política. A intensidade e profundidade são evidentes.O mesmo diagnóstico parte de 11 entre dez observadores: é preciso rearticular a condução política do governo e isso exige liderança política da presidente.
Por Walter Sorrentino*
A cúpula do PMDB decidiu, nesta quinta-feira (2), conceder apoio explícito ao ministro Antonio Palocci (Casa Civil), acusado de enriquecimento ilícito e tráfico de influência. “Não se trata de solidariedade. Nós apoiamos o ministro Palocci”, afirma o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Fragilizado desde a revelação de sua evolução patrimonial, o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, terá nesta quinta-feira (2) uma nova demonstração de seu isolamento político. Reunida em Brasília, a Executiva Nacional do PT, seu partido, descartou na véspera a hipótese de manifestação em apoio de Palocci.
Logo depois de a base governista conseguir a suspensão da convocação do ministro Antonio Palocci, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), avalia que o chefe da Casa Civil deverá vir a público tratar do aumento de seu patrimônio. "Talvez seja a hora de Palocci falar", pondera.
A cada demonstração de "descompromisso" de Eduardo Suplicy, cresce no PT a avaliação de que o senador paulista joga "para si mesmo", e não para o partido. Ao vazar com detalhes, e em on, as explicações dadas por Antonio Palocci para o faturamento recorde da Projeto, dizendo que a empresa ganhou R$ 1 milhão ao assessorar uma única fusão, Suplicy fez renascer no partido a ideia de rifá-lo em 2014.
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sugeriu a seu partido a demissão do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci — que não consegue explicar como aumentou seu patrimônio em 20 vezes atuando como consultor no período em que exerceu mandato de deputado (2006-2010). Mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), Gleisi expôs sua opinião durante almoço que ofereceu, na semana passada, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os cinco governadores do PT, que se reuniram nesta segunda-feira (23), em Brasília, com o presidente nacional do partido, Rui Falcão, divulgaram ao final do encontro um documento intitulado “Carta de Brasília”, onde reafirmam apoio às ações do governo da presidenta Dilma Rousseff e o compromisso com a defesa de uma reforma política com participação popular.
Dirigentes do PT estão convencidos de que é necessário atrelar o PMDB ao projeto de 2014, seja com a tentativa de reeleição de Dilma Rousseff ou com o lançamento de outra candidatura. E, para isso, já articulam estratégias para expandir a aliança com o partido no estado de São Paulo em 2012.
Os presidentes do PMDB e do PT selaram nesta quarta-feira (18) acordo para que os dois partidos, aliados no âmbito nacional, lancem candidatos independentes à Prefeitura de São Paulo. Já no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, apoiado pelo governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB, costura uma inédita aliança de 18 partidos para se reeleger ainda no primeiro turno.
A Comissão de Ética do diretório estadual do PT em Mato Grosso recomendou a expulsão da ex-senadora Serys Marli Slhessarenko por "infidelidade partidária". Inconformada com a decisão — que ainda precisa do crivo da executiva regional —, a ex-parlamentar disse estar "incrédula" e promete recorrer à direção nacional da legenda.
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, informou que terá um encontro na quarta-feira (18), em Brasília, com o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp, para discutir a política nacional e os rumos dos dois partidos nas eleições municipais de 2012.
O debate em torno do Código Florestal traz algumas lições. Uma delas é direta. Deve-se olhar com cautela quando a coisa no Congresso Nacional parece muito acirrada. Pois é possível que as diferenças no mérito não sejam tão diferentes assim, que o ambiente de polarização se deva mais a dificuldades políticas.
Por Alon Feuerwerker, em seu blog