15 de Junho de 2017 - 8h20

Os Sete Pilares

Eduardo Bomfim *

Em um Oriente Médio conflagrado por disputas políticas, religiosas, econômicas e geopolíticas, insurgência de organizações fundamentalistas terroristas financiadas por algumas nações em função de disputas por lideranças regionais, mas manipuladas por interesses imperialistas, ressurge, como no passado colonial, a presença nefasta da diplomacia e dos serviços de inteligência britânicos.


Durante a 1a Grande Guerra mundial destacou-se como sofisticado agente do serviço secreto inglês Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como T. E. Lawrence que ficou mundialmente famoso com o filme Lawrence da Arábia na década de 60, conduzido pelo diretor inglês David Lean, ganhador de 7 Oscars da academia de cinema de Hollywood.

Apesar do grande sucesso de crítica e público, ótima interpretação do ator britânico Peter O’Toole, o filme, um clássico do cinema, lança mais estereótipos sobre os árabes, como um povo inculto, bárbaro e desorganizado.

Ignorando toda sua contribuição na engenharia, matemática, filosofia, astronomia, arquitetura, sem a qual o mundo ocidental levaria séculos para dominar princípios de civilização avançada, cultural e tecnológica.

Que o digam os povos da península Ibérica, os espanhóis e os portugueses, estes últimos grandes desbravadores na época das imortais aventuras das Descobertas Marítimas, que equivale hoje em dia às viagens espaciais, atualmente estagnadas.

Lawrence além de membro do serviço de inteligência era um excelente arqueólogo, linguista, geógrafo, poeta, escritor, pensador. Sua missão, unir os povos árabes na guerra contra o império turco otomano, depois fragmentados pelo colonialismo britânico, que o deixou amargurado.

Da sua experiência surgiu a obra prima “Os Sete Pilares da Sabedoria” que, a exemplo do chinês Sun Tzu, serve até hoje como livro de referência filosófica, militar, política e deveria ser lido nos dias sombrios da globalização financeira, especialmente no Brasil.

Diz Lawrence: “a experiência, a vivência, sem a reflexão, corre o risco de repetir-se, incorrendo-se nos mesmos erros. A reflexão é da ordem do intelecto, o pensamento sem ação é vazio, a ação sem pensamento é vã. Sensatez exige quase a anulação da emoção e a elevação do pensamento estratégico. Já o exercício da intuição também ajuda”. E por aí vai T. E. Lawrence.

* Advogado

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