Mauro Santayana: A chantagem das armas
Mais uma vez, se repetem as cenas de vandalismo, e de aumento da violência, que se seguem à deflagração de greves policiais que ocorrem, com frequência, em diferentes estados da Federação.
Por Mauro Santayana*
Publicado 17/05/2014 11:49

E a Força Nacional e as Forças Armadas têm que ser convocadas para restabelecer a ordem em vários pontos do país. O que aumenta o risco de conflitos, e de que as circunstâncias saiam do controle, com gravíssimas consequências tanto para os grevistas como para a população.
Ninguém nega que a maioria dos policiais é profissional e bem preparada e que é preciso ganhar uma remuneração digna e o agente estar bem equipado para fazer frente ao crime.
Mas o policial não pode achar que está acima dos cidadãos normais, nem acreditar que tem direito a aumentos de vencimento percentualmente dez, quinze vezes, superior aos que recebem os brasileiros comuns. Esse é o caso, por exemplo, do pessoal das Forças Armadas, que vive no mesmo país, com os mesmos preços, custo de vida, etc.
A vida do policial é sacrificada, mas ninguém o obrigou a entrar na profissão. Ele não foi forçado a exercê-la. Pelo contrário, escolheu-a livremente, porque, quando prestou concurso, achou a situação e o salário atraentes, senão teria se encaminhado para um diferente destino profissional.
Urge achar outras soluções para os problemas de segurança pública — como a descriminalização da droga e a rediscussão da questão do estatuto do desarmamento — que não estejam voltadas apenas para a contratação permanente de sempre mais policiais e mais equipamentos.
Não se pode aceitar, nem imaginar, que a nação, sequer por hipótese, fique à mercê da pressão de setores minoritários do funcionalismo. Esses setores, como todos os outros, de forma alguma podem colocar em primeiro lugar seus interesses — à frente do atendimento às necessidades dos cidadãos que pagam, com seus impostos, seus salários, e da própria sociedade como um todo.