16 de março de 2017 - 13h06

Florianópolis protesta contra a Reforma da Previdência 


Foto: Josemar Sehnem
   
Mobilizações em locais de trabalho, diálogo com a população, assembleias de categorias e protestos compuseram a agenda de sindicatos e movimentos sociais que se empenham em denunciar as reformas da previdência e trabalhista que tramitam no Congresso Nacional.

O ato unificado reuniu, segundo a organização, cerca de 10 mil pessoas que marcharam pelas ruas do centro da capital, exigindo que a reforma não seja aprovada pela Câmara Federal. Pelo menos dez categorias do serviço público municipal, estadual e federal, além de trabalhadores do setor privado participaram dos protestos.

Servidores da educação estadual realizaram assembleia para discutir uma possível greve e trabalhadores do transporte urbano paralisaram suas atividades das 16h às 18h. A manifestação também contou com diversas organizações do movimento sociais e as centrais sindicais CUT, CSP/Conlutas, CTB, Intersindical e UGT.

A marcha saiu da “praça do Sintraturb”, próxima ao Terminal Integrado do Centro (Ticen), subiu a praça XV e seguiu pela ruas Tenente Silveira e Álvaro de Carvalho até chegar à avenida Paulo Fontes. A partir desse ponto, os manifestantes se posicionaram em direção à ponte Pedro Ivo. Sob chuva forte, a Polícia Militar formou uma barreira que impediu o acesso a ponte e houve tumulto. Depois de negociações, a marcha seguiu para o Ticen, onde o ato foi encerrado.

“Foi um ato lindo, com muita adesão. É importante dizer que não só os sindicatos devem se mobilizar, mas o Fórum de Lutas se propõe a ampliar essa discussão com outros movimentos. A campanha do Fórum busca chegar a toda a população, as pessoas que serão diretamente atingidas. Ontem foi uma marco para essa resistência, 8 de março também foi e acredito que agora é ampliar e dialogar com o povo. Os movimentos precisam se organizar para derrotarmos essas contrarreformas que retiram direitos da população mais pobre”, aponta Edileuza Fortuna, servidora pública estadual e presidenta do Sindicato de Trabalhadores em Saúde de Santa Catarina (SindSaúde/SC).

As mulheres tiveram destaque nas mobilizações deste dia 15. Não à toa. Para a ativista social e integrante do Bloco das Mulheres contra a Reforma da Previdência, Elaine Sallas, são elas as mais afetadas. O bloco, organizado pelo coletivo 8M de Florianópolis, reuniu ativistas dos movimentos feministas que se somaram aos protestos.

“O protagonismo feminino nas lutas não é de hoje, mas tem despontado a cada nova batalha. No caso da reforma da previdência, o fato de termos a tripla jornada com trabalhos formais, informais e domésticos nos afeta diretamente. A necessidade de contribuir 49 anos para obter 100% da aposentadoria é um absurdo para qualquer trabalhador ou trabalhadora. As mulheres do campo correm o risco de não conseguirem se aposentar por conta das comprovações de contribuição em jornadas amplas e muitas vezes sem registro”, argumenta Elaine.

No sul do Brasil, diversas cidades organizaram protestos. De acordo com o portal de notícias Sul 21, Porto Alegre reuniu cerca de 10 mil na Esquina Democrática, no centro, que marcharam até o Largo Zumbi dos Palmares. Em Curitiba, conforme levantamento do portal de notícias Terra Sem Males, 20 mil pessoas também protestaram contra o desmonte da previdência social.

Em Santa Catarina, ocorreram atos em Joinville, Jaraguá do Sul, Itajaí, Blumenau, Rio do Sul, Chapecó, Xanxerê, São Miguel do Oeste, Caçador, Pinhalzinho, Dionísio Cerqueira, Concórdia, Tubarão e Araranguá. “Demonstramos nas ruas que a classe trabalhadora não aceita a retirada de direitos e uma reforma da previdência que prejudica drasticamente trabalhadores. Não vamos aceitar retrocessos e já nos preparamos para novas mobilizações”, afirma Anna Julia Rodrigues, presidenta da CUT/SC.

Reforma da Previdência
A medida que tramita no Congresso Nacional como PEC 287 quer aumentar o tempo de contribuição para aposentadoria de 15 para 25 anos e ainda prevê cortes no Benefício de Prestação Continuada (BPC) que, em geral, favorecem as mulheres, responsáveis pelo cuidado com as crianças, com os deficientes e com os mais velhos. Ela propõe desvincular esses benefícios do salário mínimo, por exemplo.

A reforma é na prática o fim da aposentadoria para 80% da classe trabalhadora no Brasil. Nas condições de trabalho que temos hoje, contribuir por 49 anos é inviável. Se você não tiver 65 anos você não poderá se aposentar. Se você quiser se aposentar aos 65, será necessário ter 25 anos de contribuição. É humanamente impossível. A reforma trabalhista, também em discussão no congresso, retira e permite negociar direitos, o que diminui o trabalho com carteira assinada. Os atos de ontem demonstraram que temos capacidade de resistência para enfrentar essas reformas”, diz Elenira Vilela, professora do Instituto Federal de Educação (IFSC) e diretora do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação de Santa Catarina (Sinasefe/SC).

A reforma modifica o sistema, igualando a idade de contribuição entre homens e mulheres, o que desconsidera que as brasileiras trabalham cerca de 5,4 anos a mais que os homens, tratando com as mesmas regras, pessoas com situações diferentes. Cabe lembrar da tripla jornada feminina – o trabalho fora de casa, o trabalho doméstico e a maternidade – e que ela impacta diretamente na vida e na saúde das mulheres.



Fonte: Portal Catarinas

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