Bolsonaro fugiu do debate, mas não saiu ileso. Haddad se fortaleceu
Bolsonaro fugiu do principal debate entre as candidaturas à Presidência da República. Usou como álibi a convalescência. Mas, este álibi caiu. Não teve saúde para o debate, mas a teve para dar uma longa entrevista a outro canal de TV. Ausentou-se por conveniência, por medo, e óbvio, por ser inapto à democracia.
Publicado 05/10/2018 08:03

Embora ausente foi confrontado. O momento talvez mais destacado do debate se deu a partir de uma pergunta de Fernando Haddad a Guilherme Boulos. Boulos, sem meias palavras, denunciou a tragédia que representou a ditadura militar e alertou que nunca ela esteve tão próxima de retornar, numa referência direta a Bolsonaro. Haddad respaldou o alerta e disse que “sem democracia, não há direitos”.
Foi positivo, também, que outros candidatos, como Marina Silva, Henrique Meirelles e, sobretudo, Ciro Gomes tenham combatido Bolsonaro com temas sensíveis ao povo: como o fim do 13º salário, da gratificação de férias, aposentadoria digna, ou condenando-o pela ausência em desrespeito ao eleitorado. Alckmin também estocou Bolsonaro, mas sempre naquela pregação falsa de que o Brasil está conflagrado por dois extremos.
O bufão da noite foi Álvaro Dias. De início, bajulou tanto a Globo e o apresentador que perdeu o tempo da pergunta. No resto, foi um atabalhoado e truculento inquiridor de Haddad.
Bolsonaro, poderia ter sido mais combatido? Sim. As regras do debate e interesses táticos de várias candidaturas contiveram a dosimetria. Mas, o certo é que “fujão” Bolsonaro não saiu ileso.
O candidato do PDT Ciro Gomes, em terceiro lugar nas pesquisas, e que, legitimamente, almeja uma vaga no segundo turno, foi razoavelmente comedido na demarcação com Fernando Haddad. Ambos, divergiram, essencialmente, como candidaturas de um mesmo campo.
Com ausência do fujão Bolsonaro, toda a expectativa, toda pressão recaiu sobre Fernando Haddad, uma vez que está consolidado em segundo lugar. Ele foi o mais questionado, o que recebeu mais ataques.
E nestas circunstâncias adversas, se fortaleceu.
Foi sereno. Demonstrou autocontrole, sangue frio, quer seja com os pontapés de Dias, quer seja com o ácido antipetismo do tucano.
Foi altivo. Exigiu compostura de adversários. Expôs de forma convincente o legado dos governos Lula e Dilma. Defendeu com firmeza o ex-presidente Lula, denunciou a prisão injusta e arbitrária.
Foi propositivo e programático. Não houve uma só pergunta, ou uma só resposta que não tenha se primado em apresentar saídas para o Brasil sair da crise: na esfera da economia, do meio ambiente, da segurança pública, da saúde, da previdência, do trabalho, da educação.
Elevou-se como patriota. Categoricamente afirmou que irá retomar a riqueza do pré-sal entregue pelo governo Temer “aos americanos”.
Fernando Haddad, neste debate, confirmou aos olhos de milhões de eleitores e eleitoras sua personalidade, suas qualidades, expôs um pouco de sua história.
Haddad saiu fortalecido. Demonstrou que é um líder capaz de unir e retirar o país da crise e salvá-lo da ameaça de um regime ditatorial, representado pela candidatura do fascista Bolsonaro.