Israel ameaçou transformar a Cisjordânia em "uma segunda Gaza"
Autoridades do governo de Israel ameaçou o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, para que adiasse uma votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU do relatório do juiz Richard Goldstone sobre a última ofensiva na Faixa de Gaza. A informação consta na edição deste domingo (17) do jornal israelense Ha'aretz.
Publicado 17/01/2010 21:22
“O pedido veio depois um encontro particularmente tenso com o chefe do serviço de segurança (interno), o Shin Bet”, publicou a edição eletrônica do jornal. Segundo o Ha'aretz, a reunião entre o chefe do Shin Bet, Yuval Diskin, e Abbas ocorreu na Muqata (sede do governo) de Ramala. Nela, Diskin disse a Abbas que, se não pedisse o adiamento da votação, Israel transformaria a Cisjordânia em “uma segunda Gaza”.
O relatório de Goldstone, estudado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra no mês de outubro, denuncia crimes de guerra cometidos por Israel e pelo movimento islamita Hamas durante os 22 dias de confronto na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Durante a ofensiva militar israelense, a de maior envergadura em Gaza desde 1967, 1.400 palestinos morreram — em sua maioria civis —, enquanto 13 israelenses faleceram.
Por causa do pedido da ANP, o Conselho de Direitos Humanos apoiou o adiamento de uma votação para transferir o relatório para o Conselho de Segurança das Nações Unidas com a recomendação de que, se as partes não investigassem as denúncias até março, o caso deveria ser levado para o Tribunal Penal Internacional. Após o Hamas aproveitar a situação para desprestigiar Abbas, o presidente da ANP voltou a dar a ordem para pedir que o relatório fosse votado o mais rápido possível, e assim ocorreu.
Israel considera que as conclusões da comissão liderada por Goldstone são tendenciosas e que o relatório se dedicou desde o início a condenar o Estado judaico. Segundo uma fonte palestina próxima a Abbas, o Ha'aretz assegura que Diskin chegou à Muqata como parte de uma missão diplomática estrangeira, e que altos comandantes do Exército fizeram paralelamente as mesmas ameaças a outros líderes palestinos.
De acordo com o jornal, Diskin ameaçou cancelar as medidas aplicadas por Israel durante 2009 para facilitar a liberdade de movimento na Cisjordânia, e retirar sua aprovação a uma nova operadora de telefonia celular, Watania, com quem o governo da ANP tinha um contrato que, caso não cumprido, levaria ao pagamento de dezenas de milhões de dólares em compensações.
Diante de uma comissão palestina que investigou a estranha solicitação da ANP à ONU, Abbas assegurou que a decisão não respondia a pressões externas, disse que tinha cometido um erro e lamentou que a decisão tivesse sido aproveitada por seus adversários para prejudicá-lo politicamente.
Da Redação, com informações do Opera Mundi