Povo do Pinheirinho ocupa centro de São José dos Campos

 Aos gritos de “Somos todos Pinheirinho!” as pessoas ocuparam a praça Afonso Pena, no centro da cidade. O ato reuniu centenas de entidades, aproximadamente 5.000 pessoas – dentre elas, vários moradores e moradoras do bairro que foi atacado pela Polícia Militar. Eram quase 11 horas quando a multidão saiu em caminhada pelas principais ruas em direção à prefeitura.

pinhieirinho - Agildo Nogueira Junior

 
Josiel Pereira participou da atividade junto com seu filho Jonatas Willian. Ambos nasceram e cresceram na cidade. Por necessidade, foram morar no Pinheiro. Josiel relata como as coisas aconteceram no dia em que a PM os atacou. “Fomos expulsos do lugar onde morávamos há anos. Sem nenhum aviso, sem nenhuma negociação. Os policiais falavam: – pega o que der e sai agora! Saímos apenas com as roupas do corpo, nem roupa limpa deixaram a gente pegar. Só consegui voltar lá três dias depois. A prefeitura liberou senhas e prometeu que forneceria caminhão para a mudança. Mas, não fizeram nada. Aluguei um carreto e consegui tirar apenas geladeira, TV, fogão e um armário. Todo o resto ficou para trás”.

Segundo Josiel, as condições nos alojamentos também não é boa. As pessoas não têm privacidade. A prefeitura não respeita os cidadãos. “Já veio comida azeda”. A Rede Brasil Atual também denuncia as precárias condições do local. Matéria sobre os alojamentos denuncia que “ Uma quadra de bocha aberta é transformada em dormitório. Plásticos improvisados nas laterais substituem as paredes. A chuva entra pelos vãos. De dia, calor intenso. À noite, frio. Famílias dormem em banheiros”.

Josiel também está preocupado com a possibilidade de mudar. “A prefeitura diz que vai pagar seis meses de aluguel, mas está difícil conseguir casa com o valor que eles querem dar. E depois dos seis meses, como vai ficar? O prefeito diz que pode prorrogar por mai seis meses, mas ninguém acredita”.

Mesmo com todos esses problemas gerados pelo Estado, Josiel acredita que vai conseguir reorganizar sua vida e reconquistar sua moradia. “Vamos manter nossa união e seguir lutando. É esse o nosso caminho”.

Ausência percebida na manifestação de hoje, foi a PM. Nenhum policial esteve próximo do local, nem para proteger os manifestantes, nem para orientar o trânsito. Mas ninguém ligou. A população saiu das lojas durante a passeata, os carros aguardavam os manifestantes passarem. E o povo do Pinheirinho seguiu seu caminho.

Agildo Nogueira Junior