Carnaval do Rio mostra luxo e tecnologia, mas tem falhas amadoras

O segundo e último dia do Carnaval 2013 do Rio de Janeiro, da noite de segunda até o amanhecer desta terça-feira (12), fez a Marquês de Sapucaí brilhar com luzes de LED, muitas cores e celebridades nos desfiles, mas também sofreu com falhas amadoras, como excesso no tamanho de alegoria e princípios de incêndios em alguns carros.


A comissão de frente abriu o desfile da Mangueira, sem o uso de tripé, com bailarinos fantasiados como bandeirantes e índias, que se transformavam ao vestirem saias grandes e rodadas. Foto: Julio César Guimarães/UOL

A Mangueira, uma das escolas mais tradicionais do Carnaval do Rio com mais de 80 anos, terminou o desfile com sete minutos de atraso por causa de seu último carro alegórico, que trazia uma borboleta erguida por uma grande torre e que atingiu uma saliência na Sapucaí. Uma outra alegoria emperrou na dispersão e causou início de pânico, quando bombeiros correram para retirar pessoas assustadas com a fumaça que emanava do carro.

A Imperatriz Leopoldinense também viu princípio de incêndio em um de seus carros. Uma fumaça começou a sair da alegoria no meio do desfile, e continuou forte na dispersão do Sambódromo. Os bombeiros correram para retirar as pessoas do carro ainda em movimento. Na Grande Rio, os carros gigantes causaram um engarrafamento na dispersão da Marquês.

O calor de 30ºC e o clima abafado no local também prejudicaram o andamento deste segundo dia de desfiles. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, foram realizados 629 atendimentos médicos até as 4h30, a maioria por causa de desidratação e mal estar. A reportagem do UOL no local apurou que muitos passistas sofreram com fantasias pesadas e que esquentavam ainda mais a temperatura do corpo.

A Beija-Flor teve um carro com problemas de acoplagem, que precisou ser unido manualmente no meio do desfile. Com o limite de oito alegorias por escola, é possível que a agremiação perca pontos caso os jurados levem o defeito em conta e somem uma nona alegoria ao total.

Para a São Clemente, primeira escola a entrar na avenida, a tensão aconteceu no final do desfile. Já na dispersão, seu quinto carro alegórico deu uma freada brusca e quase atingiu um componente após uma curva muito fechada.

O primeiro dia de desfiles do Grupo Especial carioca também sofreu com imprevistos. Campeã do ano passado, a Unidos da Tijuca teve problemas com carros alegóricos durante toda a performance na avenida. O forte calor de mais de 30ºC na cidade também prejudicou diversas escolas. Inocentes de Belford Roxo e Portela tiveram alguns de seus componentes passando mal e o mestre-sala da União da Ilha teve uma queda de pressão na avenida. Também na Portela, uma destaque caiu e quebrou a perna depois que o carro-alegórico em que estava bateu em uma árvore.

Luxo e paradinhas de bateria

Mas nem só de problemas foi feito o encerramento do Carnaval 2013 do Rio. A passagem da Beija-Flor na Sapucaí foi marcada por uma apresentação quase impecável e repleta de luxo e celebridades. Puxada pela voz de Neguinho da Beija-Flor, a terceira escola na avenida teve um desfile menos tumultuado do que outras favoritas como Unidos da Tijuca e Mangueira. As arquibancadas reagiram com entusiasmo às paradinhas da bateria.

A Mangueira também se destacou com sua divisão de bateria, com cada metade sendo composta por 250 ritmistas. Os dois grupos não tocaram simultaneamente e houve um revezamento durante a apresentação, realizado em diversos momentos do desfile, que arrancou gritos e aplausos das arquibancadas.

A Acadêmicos do Grande Rio levou para a avenida seu apelo político sobre a polêmica divisão dos royalties do petróleo e foi recebida por um público animado, que balançava bandeiras e cantava o enredo. A escola conseguiu tratar do assunto de forma leve e com referências de fácil assimilação. Única escola com camarote específico para as celebridades que desfilam, a agremiação colocou diferentes destaques no desfile, como Bruna Marquezine, Monique Afradique, Cléo Pires e Susana Vieira.

Última escola a desfilar no Rio de Janeiro, a Vila Isabel entrou otimista na avenida, após gritar por diversas vezes que já era campeã ainda na concentração. A bateria da escola, comandada por Mestre Paulinho, fez o público cantar e dançar, encerrando o desfile com um enorme arraial, que reuniu convidados de camarote e passistas atrás da escola, em um grande bloco de Carnaval.

A apuração dos votos das campeãs e o resultado do carnaval carioca acontecem na próxima quarta-feira.

Fonte: UOL