Jovens ocupam as ruas para se contrapor ao capitalismo opressor

Com a crise instaurada no centro do capitalismo, a partir de 2008, os jovens saíram às ruas para manifestar-se contra as políticas de contenção de gastos que retiram direitos da juventude e dos trabalhadores. Com o lema “ocupar Wall Street, ocupar todos os dias”, os jovens estadunidenses reagiram à repressão e se mantiveram impassíveis em seus propósitos. 

Na Europa a juventude tomou o espaço público para protestar contra as políticas de austeridade e retirada de direitos dos trabalhadores. As ruas de Paris, Madri, Atenas, Roma, Lisboa estiveram lotadas de jovens lutando pelo direito de ocupar as ruas. Nos países árabes também a juventude saiu às ruas para mudar regimes e derrubar ditaduras, entre outras reivindicações.

Antenados com o mundo e com vontade de avançar e sair dos espaços impessoais da internet, os jovens brasileiros mostram a que vieram e seguem a poesia de Castro Alves que diz que “a praça é do povo”. Contrariando a política do medo, saem às ruas sem medo da felicidade.
Medo que vem desde a ditadura civil-militar instaurada no Brasil em 1964 que criou a teoria da “segurança doméstica”, propagando o medo para que as pessoas permanecessem recolhidas em casa. Modo fácil de impedir reuniões, debates, troca de ideias, conhecimento, amizade e confiança no outro. Mesmo assim muitos se rebelaram e ocuparam seus espaços contra a tirania. Foram debelados à força, presos, banidos, torturados… Mas resistiram.
Com o fim da ditadura em 1985, a proposta da “segurança doméstica” prevaleceu ainda por bom tempo devido à insegurança das ruas nas grandes cidades tomadas pela violência. Mas com o passar dos anos e o fortalecimento da democracia tem espantado o medo e a juventude brasileira começa a retomar a rua como espaço público em um ato político para mostrar a sua vontade de ter acesso à cultura, lazer, informação e de ter a possibilidade de conhecer pessoas para criar novos relacionamentos e trocar de idéias e afetos.Nem sempre foi fácil. Em 2010 o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD) criou o Programa do Silêncio Urbano, restringindo a possibilidade de música nas ruas da cidade. Policiais reprimiram skatistas na Praça Roosevelt e o atual prefeito Fernando Haddad (PT) rechaçou a violência contra os jovens. Essa atitude de Haddad deu início ao debate sobre a ocupação dos espaços públicos na cidade de São Paulo. A proposta dos jovens re-humanizar as suas vias e praças para fortalecer a coexistência entre os gêneros e transformar a cidade em espaço convidativo para todos. a”.
Os jovens cansaram de esperar pelo poder público e voltam às ruas. Como o coletivo Existe Amor em SP com o Festival Anhangabaú da FelizCidade: Quanto Vale ou é para Todos? Algo parecido com a “Minhoca Colorida”, que ocupa o Minhocão pra diversas manifestações culturais e de lazer. Após intenso debate criado via e-mails, jovens de Belo Horizonte voltaram à Praça da Estação, proibida para qualquer tipo de evento desde 2009. Criaram a Praia da Estação, onde “banhistas e movimentos políticos formaram blocos de carnaval. O grupo Praça Livre reúne até 500 pessoas na mesma praça com, cadeiras de praia, guarda-sol e dão o seu recado de harmonia.

Além de voltar às ruas, a juventude preocupa-se com a mobilidade urbana. Porque para participar de eventos precisam locomover-se e o preço das passagens do transporte coletivo está o olho da cara.
Em abril, jovens porto-alegrenses tomaram as ruas para protestar contra o aumento de passagens de ônibus. Que havia ido de R$ 2,85 para R$ 3,05 e conseguiram uma liminar da justiça barrando o aumento. Em São Paulo, a prefeitura promete transporte 24 horas. Outra questão importante refere-se à criação de ciclovias pra facilitar a mobilidade. Existe um projeto de lei na Câmara dos Deputados que determina que todas as cidades acima de 50 mil habitantes tenham ciclovias. Ainda em São Paulo, a administração inclui as bicicletas no bilhete único, com possibilidade de aluguel de bicicletas pelo período de validade do bilhete no centro da cidade. 
Jovens têm se manifestado de diversas formas em todo o país ocupando as ruas como espaços públicos para expressar suas vontades, sem esperar pelos poderosos. Tem sido assim nas manifestações pela derrubada do deputado Marco Feliciano da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara. Foi o caso dos caras pintadas pra derrubar Collor de Mello. Tem sido assim e todos os atos em defesa da liberdade em todos os cantos do mundo. Como na canção de Chico Buarque Vai Passar: “Vai passar/Nessa avenida um samba popular/Cada paralelepípedo/Da velha cidade/Essa noite vai/Se arrepiar”.

A juventude mostra que não agüenta mais tanta repressão e grita com todos os poros, toda sua irreverência, sua alegria e sua vontade de mudar o mundo. A ocupação dos espaços públicos é mais forma de se contrapor ao capitalismo opressor e excludente que privilegia poucos e impede a manifestação pública da liberdade.


Fonte: Portal UJS