Brasília recebe 1ª Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva

A 1ª Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil de 21 a 26 de janeiro, apresenta companhias e artistas que produzem obras e espetáculos que ultrapassam as fronteiras das formas convencionais de expressão.

A intenção é atingir vários públicos – inclusive pessoas com deficiência – que fazem o uso de diferentes sentidos para apreciar arte. Por meio de linguagens variadas, espetáculos de dança, teatro e mesas de debate, os eventos pretendem quebrar a lógica de que são necessários todos os sentidos para que as pessoas percebam e participem da produção e do “consumo” de arte.
Nesta terça-feira (21), o dançarino e coreógrafo Marcos Abranches apresenta o espetáculo Corpo Sobre Tela, inspirado na vida e obra do filósofo inglês Francis Bacon. No dia seguinte, a companhia piauiense Cia. de Dança Eficiente apresenta Meu Corpo Não É Mudo, que tem o objetivo de expor o potencial artístico de pessoas com deficiência ao mesmo tempo que trabalha a autoestima.

No espetáculo Olhares Guardados, que será exibido no dia 23, todos os atores da peça são cegos. Por meio do tato, eles exploram de maneira mais intensa os recursos cenográficos, além de utilizarem muito a sonorização. Na sexta-feira, o público é convidado a percorrer uma instalação conduzido pelos atores do Grupo Sensus, que vedam os espectadores, interpretam textos e estimulam todos os seus sentidos.

Em Memória na Ponta dos Dedos, seis atores do grupo Signatores, todos com deficiência auditiva, contam no dia 25 suas histórias de vida por meio de poesia e jogos de improviso. Para fechar a programação, o Teatro Cego encena O Grande Viúvo, de Nelson Rodrigues, em um lugar completamente escuro, onde os espectadores são obrigados a usar seus outros sentidos. No espetáculo, que conta com deficientes visuais no elenco e na produção, os atores circulam entre o público, que fica sempre com a sensação de estar literalmente no meio das cenas.
Na quarta-feira (22), será realizado o debate “Arte e inclusão: deficiência, corpo e diferença”, que problematiza as formas hegemônicas de fazer arte e, no sábado (25), a mesa deve tratar sobre políticas de inclusão.