Petroleiros reagem a programa de demissão voluntária

A notícia de abertura de um novo programa de demissões voluntárias na Petrobras irritou a direção da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que estava na expectativa de discutir a questão do efetivo com a estatal. "A direção da companhia mais uma vez está se equivocando", afirma o coordenador da FUP, José Maria Rangel, para quem a Petrobras está, na verdade, com déficit de pessoal, principalmente nas áreas operacionais.

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"Você pega o número de horas extras realizadas e percebe claramente que está faltando gente", diz Zé Maria, alertando também para a perda de qualidade nas operações da companhia, à medida que a adesão ao programa deverá ser de funcionários mais experientes. "Vai perder muita excelência de conhecimento, e isso não se repõe da noite para o dia", observa. Além disso, aponta, há as consequências na área de segurança.

Para o coordenador da FUP, também chama a atenção a afirmação da Petrobras, em comunicado, que o plano visa a se adequar ao Plano de Negócios e Gestão, um indicativo de que pretende reduzir ainda mais as suas atividades, no momento em que se discutem formas de retomar o crescimento. "Para nós, isso é mais preocupante ainda."

O dirigente lembra que havia uma reunião agendada para 19 de abril, para discutir especificamente a questão do efetivo. Ele interpreta o lançamento do programa como um desrespeito ao acordo coletivo. "Como a companhia apresenta um plano de desligamento sem discutir com os sindicatos?" Os sindicatos temem que a redução do quadro de funcionários cause sobrecarga de trabalho, acidentes e mais horas extras.

Em entrevista à Reuters, o representante dos funcionários no Conselho de Administração da Petrobras, Deyvid Bacelar, disse que a companhia prevê o pagamento de indenizações de cerca de R$ 212 mil a R$ 706,6 mil aos funcionários que aderirem ao PIDV, citando um comunicado interno distribuído na companhia.

Mas, para ele Deyvid Bacelar, o PDV deverá causar prejuízos não só aos funcionários, como à Petrobras. “Os trabalhadores que ficarem serão sobrecarregados, sobretudo nas áreas operacionais, o que vai aumentar o número de acidentes de trabalho e também de horas extras”, acredita.

Ainda segundo ele, várias ações tramitam na Justiça contra a Petrobras por conta de outros planos de Demissões Voluntárias praticados no passado. “Esse voluntariado tem umas aspas muito grande. Temos problemas de pessoas que são compelidas a aderir ao plano por conta da situação de crise que a estatal se encontra. O trabalhador perde muitos benefícios com tudo isso”, completa o sindicalista.

Segundo comunicado divulgado no dia 1º, o Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), que começa a valer em 11 de abril e vai até 31 de agosto, vale para a controladora (não vale para subsidiárias), que tem 57.046 empregados. A estimativa de adesão é de 12 mil funcionários, número de trabalhadores em condições de se aposentar. A primeira edição do plano, em 2014, já teve 6.254 desligamentos e está com outros 1.055 inscritos com previsão de saída até maio de 2017. Somados, os dois programas devem fechar 20 mil postos de trabalho.