Publicado 31/12/2016 10:55

“Nós não vamos parar. Este governo há de ser um governo reformista, um governo das reformas”, disse Temer, que encaminhou ao Congresso Nacional proposta de reforma da Previdência e trabalhista que retiraram direitos.
Temer disse estar convencido de que essas matérias serão aprovadas “em brevíssimo tempo” e que a reforma trabalhista “será de fácil tramitação”, por ter sido pactuada entre trabalhadores e empregadores. No entanto as centrais sindicais criticaram o pacote e prometeram mobilizar os trabalhadores contra o pacote.
Temer também gastou alguns milhões em uma campanha publicitária para dizer que o aprofundamento da crise não é resultado de sua política de arrocho e entreguismo. Na inserção de meio minuto, o governo Temer diz que está tomado medidas que resolvem "graves problemas", "criando empregos" e "devolvendo a confiança" ao país.
Na quinta-feira (29), o IBGE divulgou que o desemprego chegou a 11,9% no trimestre encerrado em novembro, taxa mais elevada já registrada da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
"O Brasil precisa de reformas que não podem esperar e o governo federal tem a coragem de fazer o que outros governos não fizeram, tomando medidas que resolvem graves problemas, criando empregos e oportunidades e devolvendo a confiança", diz a propaganda.
A realidade é que os indicadores de confiança do consumidor e da indústria recuaram aos menores níveis da série histórica com Temer no poder.
Antes de assumir usurpar a Presidência da República, Temer se comprometeu com a então oposição à presidenta Dilma Rousseff em encampar uma proposta que previa o fim da reeleição. Esse era uma das principais exigências do tucano Aécio Neves (MG).
Um prévia dessa reforma foi encaminhada ao parlamento mascarada como mudanças das regras eleitorais e propõe, entre outras medidas, a cláusula de barreira para partidos políticos e fim de coligações proporcionais.
O Senado aprovou em dois turnos uma PEC, de autoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que acaba com as coligações em eleições proporcionais (vereadores e deputados) e a cláusula de barreiras.
A proposta está na Câmara, sob análise da comissão especial e enfrenta a resistência da oposição. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que integra a comissão, instalada desde o dia 25 de outubro, para analisar o projeto do Senado sobre o tema, que propõe, entre outras medidas, a cláusula de barreira para partidos políticos e fim de coligações proporcionais.
“(As mudanças nas regras eleitorais) cabem ao Congresso Nacional, mas terá o nosso incentivo e naturalmente a nossa participação”, disse Temer em seu discurso, citando ainda o que chamou de "fidelidade" da base alidada no Congresso Nacional. A declaração ignora o fato de que nas últimas votações o governo não conseguiu garantir o número de votos que anunciava, apesar de ainda aprovar os projetos.
Temer, porém, ignorou as denúncias e citações de seu nome e de membros da cúpula do governo na Operação Lava Jato. Sobre isso, fontes do Palácio do Planalto já falam em uma reforma ministerial já no início de 2017. “Vamos esperar o ano que vem”, limitou-se a dizer Temer aos jornalistas.
Temer viajou para a Restinga de Marambaia, no Rio, onde pretende passar o réveillon acompanhado da mulher, Marcela Temer, e do filho, Michel.