Randolfe Rodrigues: O fundo do poço para a educação brasileira

A incapacidade – ou descaso – do MEC para lidar com a situação é flagrante quando lembramos que os problemas de correção das provas foram identificados por candidatos ao comparar os resultados oficiais divulgados com os gabaritos preliminares do Enem

Os múltiplos e graves problemas verificados no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2019 são provas inequívocas da tragédia que assola a educação brasileira sob a batuta de Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub. Após um ano marcado por cortes orçamentários, perseguição a pesquisadores e ataques à autonomia universitária, a divulgação dos resultados do Enem elevou a incompetência governamental ao paroxismo, evidenciando toda a incapacidade de gestão de Bolsonaro.

Para se ter ideia da dimensão do problema, basta pensar que mais de 237 mil vagas em universidades públicas serão preenchidas tendo entre os critérios a nota obtida pelos estudantes no Enem. Em outras palavras, o sonho de cursar o ensino superior para milhares de pessoas está em risco devido aos erros ocorridos na última edição do exame e que estão longe de serem corrigidos. Uma perversidade sem tamanho com o futuro destas pessoas.

Os prazos apresentados pelo governo para solucionar os problemas de correção das provas não foram cumpridos, ocasionando uma enxurrada de ações judiciais contra o governo e a inépcia de Weintraub, sinistro da educação de Bolsonaro.

Para piorar, o MEC subdimensionou o número de pessoas prejudicadas com os erros de correção das provas, atestando novamente sua incompetência e incapacidade para lidar com o problema. Sem dizer do desrespeito sem tamanho com milhares de estudante brasileiros.

Não restam dúvidas de que a gestão do Ministério da Educação é falha e precisa ser corrigida urgentemente. Entretanto, o que virá depois de Weintraub? A agonia da população brasileira é se deparar com algo igual ou pior ao atual titular do MEC, visto que ocupantes de cargos no governo Bolsonaro não preenchem nenhum requisito técnico para estarem onde estão, bastando afinidade ideológica com os retrocessos para ter o seu lugar ao Sol no governo.

Diversas perguntas envolvendo os problemas com as correções das provas do Enem 2019 seguem sem respostas, aumentando a insegurança de milhares de estudantes. Nenhuma nota técnica do MEC explicando os procedimentos após a identificação dos erros foi divulgada. Em seu lugar, apenas vagas declarações de Weintraub “garantindo” que os problemas foram corrigidos. Mais uma vez, falta transparência na condução do caso.

A incapacidade – ou descaso – do MEC para lidar com a situação é flagrante quando lembramos que os problemas de correção das provas foram identificados por candidatos ao comparar os resultados oficiais divulgados com os gabaritos preliminares do Enem. E, num primeiro momento, foram minimizados por Weintraub diante do “melhor Enem da história”.

Problemas no Enem sempre existiram, não podemos negar. Entretanto, eram situações pontuais que nunca colocaram em dúvida a legitimidade do exame, coisa que não acontece agora. Em face de tantos problemas e inércia governamental diante da situação, há quem defenda o cancelamento desta edição e nova aplicação de provas, com todo o custo material, humano e logístico que isso representa. Tudo o que milhões de estudantes brasileiros não precisam. A educação é um direito, senhor ministro. Um direito sem ideologia e politicagem. Quem sabotou o Enem foram vocês.

Publicado originalmente no Poder360

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