Antes do coronavírus, Brasil já enfrentou gripe espanhola e meningite

Vigência de uma crise sanitária decorrente de uma doença específica tem precedentes no País

Epidemia de gripe espanhola, em 1918, provocou superlotação de doentes contaminados nos hospitais

O avanço do coronavírus no Brasil levou à imposição de medidas restritivas à população e a diversos segmentos econômicos. Porém, por mais massiva e letal que seja a Covid-19, a vigência de uma crise sanitária decorrente de uma doença específica tem precedentes no País. A epidemia de gripe espanhola – que matou até um presidente eleito há quase cem anos – ganhou força com a precariedade da comunicação de massa. Já o surto de meningite na década de 1970, mais intenso em São Paulo, foi agravada com a censura do regime militar.

De 1918 a 1920, a gripe espanhola – uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1 – contaminou cerca 500 milhões de pessoas no Planeta (um quarto da população mundial na época) e matou até 40 milhões de nossos antepassados, segundo estimativas. Em São Paulo, enquanto a gripe avançava sobre os moradores, o Serviço Sanitário do Estado publicava, em outubro de 1918, uma série de recomendações para ensinar a população a se prevenir.

O objetivo era impedir a disseminação da doença, que vinha matando milhões de pessoas na Europa e nos Estados Unidos. A lista de orientações, reproduzida pelos jornais na época, aconselhava o povo a tomar medidas como “fugir das aglomerações”, “não frequentar teatros e cinemas” e “não fazer visitas”, além de “tomar cuidados higiênicos”. Ao mesmo tempo, escolas públicas, cinemas, teatros e parques foram fechados. Igrejas restringiram o público das missas, principalmente à noite.

Mais de cem anos depois, governos de todo o planeta adotam medidas parecidas para conter uma pandemia que pode contaminar uma parte considerável da população global e paralisar a economia internacional. Em 1918, a informação chegava a uma parcela pequena do povo, que ficou amplamente desorientado e desassistido. O esforço de comunicação para impedir o coronavírus, porém, conta com a agilidade da era da informação, o que torna mais fácil a conscientização.

Trabalhadores tiveram de usar máscaras em 1918 para se prevenirem da gripe espanhola

“A gripe espanhola nos ensinou que uma doença aparentemente banal, como uma gripe, pode se transformar em algo mortal. Esta e outras epidemias deixaram a sociedade mais alerta”, explica Liane Maria Bertucci, doutoura em História Social pela Unicamp e professora de História da Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo Liane, é possível fazer um paralelo entre as epidemias de gripe e do Covid-19, separadas no tempo por quase um século. “Como os cuidados preventivos contra o coronavírus são muito parecidos com aqueles do combate à gripe espanhola, estamos vendo se espalharem pela internet as mesmas recomendações e as medidas restritivas que os jornais de São Paulo publicavam há cem anos. Mas, hoje, a população tem mais acesso à informação – a epidemia atual está gerando uma reação mais precoce.”

Análises histórica sugerem que a gripe espanhola começou num campo de treinamento de soldados no estado do Kansas (EUA), entre março e abril de 1918. O vírus se alastrou velozmente pelo mundo. Mas os governos dos países envolvidos na 1ª Guerra Mundial (julho de 1914 a novembro de 1918) censuravam as notícias sobre a epidemia, para não abater os ânimos das tropas. Como a Espanha estava neutra no conflito, a mídia local divulgou livremente as informações sobre “milhões de mortes” na Europa. A situação criou a falsa impressão de que a gripe havia começado na Espanha.

A doença chegou ao Brasil em setembro de 1918, a bordo do navio inglês Demerara, que desembarcou doentes em Recife, Salvador e Rio. O vírus se espalhou rapidamente no País, matando cerca de 35 mil pessoas. Só no Rio, foram registrados 14.348 óbitos entre outubro e dezembro de 1918. Em São Paulo, foram cerca de 6 mil. A epidemia vitimou até mesmo o presidente do País. Eleito para um segundo mandato (ele já tinha governado de 1902 a 1906), Rodrigues Alves não tomou posse, no dia 15 de novembro de 1918, porque estava “espanholado”. Morreu semanas depois, em janeiro de 1919, aos 71 anos, confinado em seu apartamento no Flamengo, zona sul do Rio.

Epidemia causou a morte até do presidente Rodrigues Alves

Segundo a médica e pesquisadora Dilene Nascimento, da Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) voltada para a história da saúde, hoje estamos muito mais preparados para lidar com uma epidemia de gripe. Mas ela frisa a importância da política pública. “Havia algumas recomendações muito similares na época, mas hoje temos muito mais condições técnicas e científicas para combater o coronavírus”, afirma Dilene.

“Há cem anos, não havia, por exemplo, o volume de informações que temos sobre a evolução da epidemia. Grande parte da população não tinha acesso ao conhecimento sobre o assunto. Agora, a informação de utilidade pública alcança muito mais gente e de maneira muito mais rápida”, compara a pesquisadora. “Mas é preciso haver seriedade na política pública, com investimento em saúde. Infelizmente, vivemos no Brasil uma situação de fragilidade, na qual o presidente adere a uma manifestação e aperta as mãos das pessoas, quando devia estar em isolamento.”

Na época da gripe espanhola, as recomendações do Serviço Sanitário de São Paulo circularam nos jornais de forma resumida, sob o título de “Conselhos ao Povo”. Somadas às orientações que valem ainda hoje – como a recomendação aos idosos, que deveriam “aplicar-se com mais rigor ainda todos esses cuidados”. “As autoridades receitavam tomar sal de quinino antes das refeições, como preventivo, algo que não se faz mais. Não havia, entre aquelas recomendações, a orientação para lavar as mãos, o que dá a entender que as autoridades não tinham noção da importância desse hábito, hoje considerado essencial para impedir o contágio.”

Não faltaram críticas referentes à demora das autoridades para reagir ao aumento no número de casos. O diretor do Serviço Sanitário de São Paulo, Artur Neiva, por pouco não perdeu o cargo. Segundo o Arquivo Público do Estado de São Paulo, somente no dia 15 de outubro, dois dias depois do primeiro óbito na cidade, o órgão decretou estado epidêmico.

Orientações para prevenir a gripe espanhola se assemelham às medidas de combate ao coronavírus

A partir de então, começaram as restrições. Escolas, cinemas, teatros e jardins foram fechados. Ao fim do ano letivo, os alunos foram aprovados automaticamente. Igrejas tiveram de reduzir o público das missas. Enterros de mortos não podiam ser acompanhados a pé. As compras de muitas famílias eram feitas por uma única pessoa, para reduzir os riscos de contágio. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, a popular caipirinha surgiu nessa época, depois que as pessoas começaram a receitar limão, alho e mel com um pouco de álcool para os doentes.

Os brasileiros morriam aos milhares, principalmente em Rio e São Paulo. Cadáveres surgiam a todo instante. Ao longo dos anos, estudos ofereceram explicações diversas para a letalidade da gripe espanhola, cujo número de mortos superou largamente os 17 milhões de vítimas fatais, entre soldados e civis, da 1ª Guerra.

Diferentemente do coronavírus, que leva muito mais riscos para idosos ou pessoas com doenças crônicas prévias, a epidemia de 1918 matou, principalmente, jovens adultos. Parte dos médicos acredita que isso acontecia justamente porque, nessa camada da população, a defesa do orgnismo ao vírus era mais forte, o que fazia os pulmões se encherem de fluídos, matando as pessoas por “afogamento”.

Uma revisão de pesquisas científicas realizada em 2007, porém, sugeriu que a infecção causada pela gripe espanhola não era tão mais letal do que outras estirpes de influenza. Segundo essa teoria, as altas taxas de mortalidade foram consequência de má nutrição e das péssimas condições de higiene do começo do século 20, somadas ao tempo prolongado de internação em campos hospitalares lotados.

Meningite

Aulas suspensas e eventos esportivos transferidos – algumas das consequências da atual pandemia do coronavírus – já marcaram a história do Brasil por conta de outra doença: a meningite. Em 1974, durante o período da ditadura militar, o Brasil enfrentava a pior epidemia dessa doença em história. O país já tivera dois surtos de meningite – um em 1923 e outro em 1945 –, mas, nenhum deles tão grave ou letal. Isso porque o Brasil foi vítima não de um, mas de dois subtipos de meningite meningocócica: do tipo C, que teve início em abril de 1971, e do tipo A, em maio de 1974.

Com atraso, cobertura da vacina para a meningite atingiu quase 90% da população em 1974

Para evitar o contágio, o governo tomou medidas drásticas: decretou a suspensão das aulas e suspendeu eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos de 1975, marcados para acontecer em São Paulo, foram transferidos para a Cidade do México. Hospitais, como o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, ficaram superlotados.

A maior epidemia de meningite da história do Brasil teve início em 1971, no distrito de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Logo, a população mais carente começou a se queixar de sintomas clássicos, como dor de cabeça, febre alta e rigidez na nuca. Nos bairros mais pobres, muitos morreram sem diagnóstico ou tratamento. Em novembro daquele ano, o que parecia ser um surto restrito a uma determinada localidade logo se alastrou e, aos poucos, ganhou proporções epidêmicas. Dali, não parou mais.

Em setembro de 1974, a epidemia atingiu seu ápice. A proporção era de 200 casos por 100 mil habitantes. Algo semelhante só se via no “Cinturão Africano da Meningite”, área que hoje compreende 26 países e se estende do Senegal até a Etiópia.

Das regiões mais carentes, a epidemia migrou para os bairros nobres. Até julho daquele ano, um único hospital em São Paulo atendia pacientes com meningite. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas tinha 300 leitos disponíveis, mas chegou a internar 1,2 mil pacientes. “Não houve quarentena porque o período de incubação da meningite é muito curto”, explica a epidemiologista Rita Barradas Barata, doutora em Medicina Preventiva pela USP e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa. Na época, Rita trabalhava como aluna do internato em medicina no Emílio Ribas. “O atendimento foi além da sua capacidade máxima. Trabalhávamos muitas horas por dia”, recorda.

Com hospitais superlotados, paciente com meningite é retirado de ambulância em 1974

De agosto em diante, outras 26 unidades passaram a fazer parte de uma rede de atendimento a pacientes com sintomas de meningite. “Depois de um ou dois dias recebendo tratamento injetável, os casos mais leves eram transferidos para outras unidades, onde recebiam a medicação oral. Já os pacientes mais graves permaneciam no Emílio Ribas”, completa a médica.

Até então, uma pequena parcela da população, quase nula, sabia da existência da epidemia. O governo procurou escondê-la ao máximo, segundo explica quem acompanhou o caso de perto. “Assim que surgiu, foi tratada como uma questão de segurança nacional, e os meios de comunicação proibidos de falar sobre a doença”, diz a jornalista Catarina Schneider, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Catarina é autora da tese A Construção Discursiva dos Jornais O Globo e Folha de S. Paulo sobre a Epidemia de Meningite na Ditadura Militar Brasileira (1971-1975). Segundo ela, “essa tentativa de silenciamento impediu que ações rápidas e adequadas fossem tomadas”. Nos anos da ditadura, certos temas não podiam ser divulgados – através de notícias, entrevistas ou comentários – em jornais e revistas, rádios e TVs. A epidemia de meningite que castigou o Brasil na primeira metade da década de 1970 foi um deles. Sob o pretexto de não causar pânico na população, a censura proibiu toda e qualquer reportagem que julgasse “alarmista” ou “tendenciosa” sobre a moléstia.

Em 1971, quando foram registrados os primeiros casos, o epidemiologista José Cássio de Moraes, doutor em Saúde Pública pela USP e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, integrava uma comissão de médicos de diferentes áreas, como epidemiologistas, infectologistas e sanitaristas. Juntos, detectaram um surto da doença e procuraram alertar as autoridades. Não conseguiram. Em tempos de “milagre econômico”, o governo se recusou a admitir a existência de uma epidemia.

No começo da epidemia, apenas o Hospital Emílio Ribas atendia a casos de meningite

“Os militares proibiram a divulgação de dados. Pensavam que conseguiriam deter a epidemia por decreto. Se eu não divulgo, é como se não existisse. Não sabiam que o vírus era analfabeto e não sabia ler Diário Oficial”, ironiza Moraes. Dali por diante, médicos de instituições públicas foram proibidos de conceder entrevistas à imprensa. O jeito era dar declarações em “off” para jornalistas de confiança, como Demócrito Moura, do Jornal da Tarde. Mesmo assim, as poucas matérias publicadas, alertando a população dos riscos da meningite, eram desmentidas pelas autoridades.

“Ao governo não interessava a divulgação de notícias negativas. Negar a existência da epidemia foi um erro porque facilitou sua propagação e atrasou a adoção de medidas necessárias ao seu combate”, afirma o historiador Carlos Fidelis Ponte, mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Numa situação dessas, quanto mais rapidamente essas medidas forem adotadas, menores serão as perdas de vidas e os danos à economia.”

Em 1974, quando a verdade veio à tona, ao menos sete estados totalizavam 67 mil casos – 40 mil deles só em São Paulo. A população, quando soube da epidemia, entrou em pânico. Com medo da propagação da doença, as pessoas evitavam passar na frente do Emílio Ribas. De dentro de carros e ônibus, fechavam suas janelas. Na falta de remédios e de vacinas, recorriam a panaceias milagrosas, como a cânfora. “Não havia rede social, mas já existiam ‘fake news’. A boataria atrapalhou bastante”, recorda José Cássio.

O governo suspendeu as aulas e mandou os estudantes de volta para casa. Quando era registrado algum caso nas dependências das escolas, as autoridades sanitárias passavam formol nas mesas e carteiras. Em algumas cidades, as escolas públicas foram transformadas em hospitais de campanha para atender os doentes.

Nos hospitais, a epidemia sobrecarregou especialistas em doenças infecciosas. Médicos de outras áreas, para evitar a contaminação, usavam capacetes, óculos e botas. Outros, ao contrário, atendiam pacientes sem qualquer tipo de proteção. Um terceiro grupo preferiu mudar para o interior, com suas famílias.

Fila para tomar vacina: País importou 80 milhões de doses do Instituto Pasteur Mérieux

Uma das primeiras medidas foi prescrever sulfa. Na esperança de deter o avanço da epidemia, a população passou a tomar o antibiótico por conta própria. “O estoque acabou rapidamente e a bactéria ficou resistente”, recorda José Cássio. Todos os dias, a comissão da qual o médico fazia parte procurava atualizar os números e divulgá-los no quadro de avisos do Palácio da Saúde, onde funcionava a Secretaria Estadual de Saúde. Os setoristas da área até tinham acesso às informações, mas não podiam divulgá-las.

Os números de casos e óbitos são contraditórios. O estudo A Doença Meningocócica em São Paulo no Século XX – Características Epidemiológicas, de José Cássio de Moraes e Rita Barradas Barata, calcula que, no período epidêmico (1971-1976), foram registrados 19,9 mil casos da doença e 1.600 óbitos. Já a edição de 30 de dezembro de 1974 do jornal O Globo divulgou que, só naquele ano, a epidemia deixou um saldo de 111 mortos no Rio Grande do Sul, 304 no Rio de Janeiro e 2.500 em São Paulo.

Em março de 1974, o general Ernesto Geisel assumiu a Presidência no lugar do general Médici. Para ministro da Saúde, ele nomeou o médico sanitarista Paulo de Almeida Machado. Naquele ano, a jornalista Eliane Cantanhêde, então na revista Veja, conseguiu uma exclusiva com o ministro, em Brasília. Pela primeira vez, uma autoridade admitia publicamente que o Brasil vivia uma epidemia. Mais do que isso, ele alertou sobre os riscos da meningite e ensinou medidas de higiene à população.

De volta à redação, Cantanhêde começou a bater a matéria e a enviá-la, via telex, para a sede da Veja, em São Paulo. Dali a pouco, ficou sabendo que a entrevista tinha sido censurada. Motivo? “Não havia vacina para todo mundo”, explica Eliane. “As pessoas não sabiam o que era meningite. Muitas delas morriam e, por falta de informação, não sabiam do quê”.

Trecho dos Lusíadas substitui reportagem de Clóvis Rossi no Estadão: epidemia era censurada

No dia 26 de julho de 1974, o jornalista Clóvis Rossi também teve um texto censurado. No espaço reservado ao artigo “A Epidemia do Silêncio”, a Folha de S. Paulo se viu obrigada a publicar um trecho do poema Os Lusíadas, de Luís de Camões. “Desde que, há dois anos, começaram a aumentar em ritmo alarmante os casos de meningite em São Paulo, as autoridades cuidaram de ocultar fatos, negar informações e reduzir os números a proporções incompatíveis com a realidade”, alertou Rossi no artigo censurado.

No mesmo ano, o governo brasileiro assinou um acordo com o Instituto Pasteur Mérieux e importou em torno de 80 milhões de doses da vacina contra meningite. “O laboratório francês precisou construir uma nova fábrica – a que existia não comportava uma produção tão grande”, relata o historiador Carlos Fidelis. “Foi a partir dessa emergência que se criou, na Fiocruz, a fábrica de fármacos, a Farmanguinhos, e a de vacinas, a Bio-Manguinhos”.

Em 1975, o Brasil deu início à Campanha Nacional de Vacinação Contra a Meningite Meningocócica (Camem). Foi quando, para estimular a ida em massa da população aos postos de saúde, o governo passou a divulgar os números da doença. “A letalidade da meningite é de 10%, mas, no auge da epidemia, caiu para 2%”, afirma Rita Barradas Barata. “O diagnóstico era feito de maneira precoce e o tratamento com antibiótico reduzia o risco de morte.”

Em apenas quatro dias, foram aplicadas 9 milhões de doses na região metropolitana de São Paulo. Logo, estenderam a campanha para outros municípios e estados. A imunização não era feita com seringa e agulha – mas, sim, com uma “pistola” injetora de vacina. “Conseguimos uma cobertura vacinal de quase 90% da população”, orgulha-se José Cássio.

Mesmo transferidos de São Paulo para a Cidade do México, Pan de 1975 deixou legados como o Centro de Práticas Esportivas da USP

Além de superlotar hospitais e de fechar escolas, a epidemia de meningite teria causado outros “estragos”. Um deles é a transferência dos Jogos Pan-Americanos de 1975, da cidade de São Paulo para a do México. Bem, pelo menos essa é a versão oficial. A extraoficial é contada pelo advogado Alberto Murray Neto. “Em 1975, o número de casos já tinha reduzido e o que se dizia é que a epidemia estava controlada. Em tese, a meningite não seria um impeditivo para os Jogos”, revela Alberto.

Seu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, era o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e vice do Comitê Olímpico Internacional (COI). Durante reunião em Brasília, ele foi avisado pelo ministro da Educação, Ney Braga, que não teria recursos do governo federal para os Jogos. Em suma: o Pan deveria ser cancelado, a três meses de sua realização. “Meu avô cancelou os Jogos, sem esconder que a questão crucial era o corte de verbas”, relata Alberto. Ainda assim, o Pan-Americano de 1975 deixou para a cidade o velódromo, a raia olímpica e o Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp).

Com informações do O Globo e da BBC

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