Bolsonaro é a maior ameaça ao Brasil, afirma revista médica inglesa

“O Brasil, como país, deve se unir para dar uma resposta clara ao ‘E daí?’ dito por seu Presidente”, diz a revista britânica The Lancet, na edição de maio

Uma das mais antigas e conhecidas revistas médicas do mundo, a britânica The Lancet, descreveu a situação alarmante do Brasil em relação à pandemia do coronavírus e afirmou que que embora a doença represente um risco, talvez a maior ameaça do Brasil seja o presidente Jair Bolsonaro.

Em seu editorial, intitulado “Covid-19 no Brasil: E daí?”, a publicação aponta que a pandemia da doença chegou à América Latina depois de outros continentes e embora o primeiro caso tenha sido registrado em 25 de fevereiro de 2020, o país já tem a maioria dos casos e mortes na América Latina (105.222 casos e 7.288 mortes em 4 de maio), mesmo com números substancialmente subestimados.

Taxa de mortes e Bolsonaro

Também indica como algo ainda mais preocupante, a duplicação da taxa de mortes estimada em apenas cinco dias e um estudo recente do Imperial College (Londres, Reino Unido), que analisou a taxa de transmissão ativa da covid-19 em 48 países, mostrando que o Brasil é o país com a maior taxa de transmissão (2,81).

De acordo com o texto, grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são os principais epicentros da crise, mas há preocupações e sinais precoces de que o vírus está se movendo para o interior, rumo a cidades menores, com carências de leitos e ventiladores UTI.

“No entanto, talvez a maior ameaça à resposta da covid-19 no Brasil seja seu presidente, Jair Bolsonaro”, diz em seu primeiro trecho.

“E daí?

“Quando perguntado por jornalistas, na semana passada, sobre o número cada vez maior de casos de coronavírus, ele respondeu: ‘E daí? O que você quer que eu faça?’”.

Para a Lancet, Bolsonaro não apenas continua a criar “confusão, desrespeitando abertamente as medidas sensatas de distanciamento e isolamento físico” adotadas por governadores e prefeitos, mas também perdeu dois ministros importantes e influentes nas últimas três semanas.

Baixa entre ministros

Citando a demissão de Luiz Henrique Mandetta, em 16 de abril, afirma que o ministro da Saúde foi demitido após uma entrevista na televisão, na qual criticou fortemente as ações de Bolsonaro e pediu unidade, sob pena de deixar os 210 milhões de brasileiros totalmente confusos.

Depois comenta que 24 de abril, após a demissão do chefe da Polícia Federal do Brasil por Bolsonaro, “o ministro da Justiça Sérgio Moro, uma das figuras mais poderosas do governo de direita e nomeado por Bolsonaro para combater a corrupção, anunciou sua renúncia”.

A publicação, a seguir, comenta que a “desordem no coração do governo é uma distração mortal no meio de uma emergência de saúde pública e também é um forte sinal de que a liderança do Brasil perdeu sua bússola moral, se é que alguma dia a teve”.

Favelas e informalidade

E segue afirmando que mesmo sem o vácuo de ações políticas em nível federal, o Brasil teria dificuldade em combater a covid-19. “Cerca de 13 milhões de brasileiros vivem em favelas, geralmente com mais de três pessoas por quarto e pouco acesso à água potável.

Recomendações de distanciamento físico e higiene são quase impossíveis de seguir nesses ambientes – muitas favelas se organizaram para implementar as medidas da melhor maneira possível”.

Narra, ainda, que o Brasil possui um grande setor informal de emprego, em muitas fontes de renda que não são mais uma opção. A população indígena já estava sob forte ameaça, mesmo antes do surto da doença, porque o governo ignorou ou até incentivou a mineração e extração ilegal de madeira na floresta amazônica.

Esses madeireiros e mineradores agora correm o risco de levar a covid-19 a populações remotas. Uma carta aberta, publicada no dia 3 de maio, por uma coalizão global de artistas, celebridades, cientistas e intelectuais, organizada pelo fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, alertou para um “genocídio iminente.

Comunidade científica

“O que as comunidades de saúde e ciência e a sociedade civil estão fazendo em um país conhecido por seu ativismo e oposição franca à injustiça e à desigualdade e à saúde como um direito constitucional?”, questiona em mais um trecho adiante.

“Muitas organizações científicas, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a ABRASCO, há muito se opõem a Bolsonaro por causa de severos cortes no orçamento da ciência e em razão da destruição da previdência social e dos serviços públicos.

No contexto da covid-19, muitas organizações lançaram manifestos direcionados ao público – como o Pacto pela Vida e pelo Brasil (em inglês) –, declarações e pedidos por escrito, direcionados a funcionários do governo, que pedem unidade e soluções conjuntas.

Protestos

“Panelaços nas janelas, como protesto, durante os anúncios presidenciais têm acontecido com frequência”. Há muitas pesquisas em andamento, da ciência básica à epidemiologia, e uma produção rápida de equipamentos de proteção individual, respiradores e kits de teste”, diz o editorial.

“Essas são ações esperançosas. No entanto, a liderança no mais alto nível do governo é crucial para evitar rapidamente o pior resultado dessa pandemia, como é evidente em outros países”, acrescenta.

Desafio político

E cita a série Brasil 2009, em que os autores concluíram: “O desafio é, em última análise, político, exigindo o envolvimento contínuo da sociedade brasileira como um todo para garantir o direito à saúde de todos os brasileiros”.

O Brasil, como país deve se unir para dar uma resposta clara ao ‘E daí?’ dito por seu Presidente. “Ele precisa mudar drasticamente o curso ou deve ser o próximo a sair”, conclui.

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2 comentários para "Bolsonaro é a maior ameaça ao Brasil, afirma revista médica inglesa"

  1. Jorge Fonseca Macchiutti de Oliveira disse:

    Estamos vivendo momentos terríveis, pedimos, Socorro ao mundo. Estamos numa canoa furada. Este governo falo mais precisamente do governo federal , levando todos nós brasileiros a morte. O dinheiro que era para ser pago. Falo da ajuda Emergencial não está sendo pago pela CEF. É uma mentira, muita gente ainda não está recebendo . É apenas 600 reais uma miséria comparada a outros países que esta ajuda É bem maior. Esta é a política de modernidade. O Brasil vai mudar. Isto veio com o pós impeachment da Dilma. O Brasil tinha problema com os governos de esquerda,tinha, mais era transparente, éramos independentes . Os EUA não davam opiniões, Agora somos meros párias do imperialismo. Não vou colocar os americanos porque o povo deste país sofre com o descaso dos imperialistas. Nesta situação diante desta escravidão dos povos latino americanos. Porque não dizer de todos os povos americanos do norte, centro e do sul, bato palmas para Cuba e Venezuela. Isto que nós vemos no Brasil é o barbarismo, não capitalismo. Vai faltar comida para povo. Querem que o povo volte ao trabalho, porque não providenciam esta locomoção com inteligência. Alocando a ciência ao movimento com segurança da população, a integração com outros países na busca de soluções contra a epidemia . Principalmente com os Brics, a Itália, Espanha, o próprio EUA e não esquecendo dos países Sul-americanos. O Nordeste tem um consórcio com gente especialista no campo da saúde, porque o governo federal não se une com a turma do Miguel Niconellis, porque não fazem a coisa certa. Cria nojo a postura deste desgoverno .Desculpem o desabafo.

  2. Britto(Selva!!) disse:

    Revista Socialista,oh novidade kk

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