Pantanal, vida ou morte

Existem meios eficazes de salvar o Pantanal, evitar gigantescos incêndios e tantas mortes de espécies importantes, torná-lo novamente pujante, belo e rentável como fora no passado?

Foto: Fotos Pùblicas/Cristiano Antonucci-Secom/MT

O Pantanal possui uma das maiores áreas úmidas do planeta, com aproximadamente 150 mil Km²; 1,76% do território nacional. Nele já foram catalogadas 263 espécies de peixes, 463 de aves, 132 de mamíferos, 113 de répteis, 41 de anfíbios e cerca de 2 mil espécies de plantas.

De beleza deslumbrante, o Pantanal já fora no passado uma das mais importantes áreas econômicas do país. Já possuiu um dos maiores rebanhos de gado do Brasil, fornecendo carne para vários estados e para a tríplice aliança, na guerra do Paraguai.

Em termos econômicos, o Pantanal, que tem pasto natural, foi perdendo pujança com a formação de pastagens artificiais, com capim na maioria oriundos da África. O boi gordo do Pantanal que era abatido com cerca de 5 anos perdeu competitividade para os bois de invernadas ou confinados, geralmente abatidos com 2,5 anos ou menos. O resultado foi a falência da maioria das fazendas pantaneiras.

Outro fato que impactou no Pantanal, além do êxodo rural, foi a expansão desenfreada da agricultura e da pecuária nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O enorme desmatamento para a formação das lavouras e pastagens promoveu grande assoreamento dos mananciais de água.

Sem a vegetação composta principalmente de árvores de porte, a água da chuva não penetra no solo para manter as nascentes, escorre rapidamente carreando terra fofa das lavouras, que entopem nascentes, córregos, rios e lagoas. A calha dos rios bem mais rasa, não suporta tanta água. Daí grandes enchentes, depois grandes secas.

Hoje o Pantanal possui 16% menos água e 13 dias de menos chuva do que na década de 1960, segundo dados de pesquisadores.

A grande diminuição de pessoas e de gado na região devido aos fatores citados acima, foi alterando significativamente o Pantanal. Quando lá existiam muitas fazendas, seus proprietários cuidavam, faziam limpeza do pasto, acero. O gado pastando e pisoteando impedia que se alastrasse essa vegetação rasteira chamada pelos pantaneiros de “bamburro”, altamente combustível durante as secas.

Foto: Fotos Pùblicas/Cristiano Antonucci-Secom/MT

Esses, além de queimadas criminosas feitas por inescrupulosos que querem aumentar suas lavouras e pastagens, são os principais fatores que têm causado os grandes incêndios que já destruíram cerca de 22% do Pantanal, matando espécies de animais, aves, plantas, etc. Com as chuvas que virão, as cinzas serão carreadas para córregos, rios e baías e matarão milhões de peixes e outras espécies, por conta do processo de desoxigenação, chamada pelos pantaneiros de diquada.

Os governos estaduais, bem como o federal, não acompanharam e nem demonstram maior preocupação com essa realidade; jamais apresentaram um projeto alternativo eficaz e sustentável para o Pantanal. No máximo, de forma muito atrasada e muito aquém da necessidade, tentam apagar o fogo. Depois de mais de um mês de incêndio, o Ministro do Meio Ambiente, sob pressão, fez um sobrevôo na região, enviou 40 brigadistas e foi embora sem se reunir com setores envolvidos ou anunciar medidas ou recursos.

Mas saindo do diagnóstico (evidente que superficial) e da crítica, existem meios eficazes de salvar o Pantanal, evitar gigantescos incêndios e tantas mortes de espécies importantes, torná-lo novamente pujante, belo e rentável como fora no passado?

Penso que tudo tem solução, basta vontade política, principalmente dos governantes.

Acredito que em primeiro lugar deveria ser feito um diagnóstico profundo das causas da diminuição de água, do assoreamento, dos incêndios e da realidade econômica do Pantanal.  Os governos dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, juntamente com órgãos federais, Prefeituras, universidades, Secretarias de Agricultura, Empaer, Indea, entidades privadas, pesquisadores, estudiosos e produtores pantaneiros, poderiam montar uma coordenação de estudos e propor soluções viáveis, de curto, médio e longo prazo.

Tenho convicção de que é possível fazer com que o Pantanal possa voltar a desenvolver  inúmeras atividades econômicas sustentáveis e rentáveis, como o eco turismo, também da pecuária, com o boi verde, o novilho precoce, que propiciam produto de alta qualidade e sabor,com selo especial, para propiciar comercialização a nível interno e externo. A agricultura familiar poderia ter amplas possiblidades de produção, inclusive de peixes em cativeiro nos tanques rede e outros.

Essas atividades evidentemente teriam que contar com projetos bem elaborados com acompanhamento, financiamento a juros baixos, incentivos fiscais, agro industrialização para agregar valor à produção e garantia de comercialização. 

O Pantanal é único no mundo, sua biodiversidade muito rica, sua beleza incomparável que atrai turistas do mundo todo, não pode morrer.

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