Proposta de microcrédito do governo é balão de ensaio, diz Paulo Kliass

Para o economista, uma alternativa seria “prorrogar o estado de calamidade” e, assim, a possibilidade de auxílio emergencial

Microempresas respondem por quase 60% dos empregos - Foto: Divulgação/ Governo do Ceará

Diante da proximidade do fim do auxílio emergencial e obstáculos para ampliação do Bolsa Família, sonhada por Bolsonaro, setores do Governo Federal têm trabalhado com a ideia da Caixa Econômica Federal passar a oferecer microcrédito para informais a partir de 2021. Para o economista Paulo Kliass, a ideia, neste momento, não passa de um “balão de ensaio“.

“Isso não vai resolver o problema do governo [de recompor a renda das pessoas]. Estão apenas abrindo as alternativas, para ver como o sistema financeiro, os formadores de opinião, vão reagir”, explica. Para ele, o governo sabe que “se entrar 2021 sem nada, será o caos”.

Segundo Kliass, a ideia do microcrédito indica a busca por uma alternativa às imposições fiscais e limitações orçamentárias. Uma alternativa seria “prorrogar o estado de calamidade” e, assim, a possibilidade de auxílio emergencial. Isso, entretanto, é mal visto por Guedes.

“O governo está em uma sinuca de bico. Paulo Guedes dizendo que não conseguirá cumprir metas. Com as amarrações da Emenda do Teto de Gastos, eles não podem fazer absolutamente nada”, afirma.

A ideia de microcrédito é, assim, manter o Teto e ter uma alternativa a um programa de renda que “não sai como despesa no Orçamento”.

“Todo mundo sabe que a população de baixa renda, desempregada e desalentada, não vai ter condições de cumprir as obrigações desse microcrédito”, afirma.

É por essa razão que a solução não parece ser crível: ou não se cobraria os empréstimos – o que “eventualmente” geraria questionamentos fiscais – ou, caso houvesse a cobrança, a situação econômica se deterioraria ainda mais.

Fonte: Reconta Aí

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