Com trabalho do setor público, fornecimento é normalizado no Amapá

O drama da população amapaense durou 22 dias.

Amapá vive crise energética - Foto: Rudja Santos/Amazônia Real

O Ministério de Minas e Energia divulgou nota em que afirma que o fornecimento de energia elétrica no Amapá foi normalizado às 3h30 da madrugada desta terça (24), após 22 dias de problemas na rede elétrica que causaram sofrimento e prejuízo à população.

O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras nas Indústrias Urbanas do Estado Amapá (Stiu-AP) confirmou a normalização.

Segundo o comunicado do ministério, a volta a 100% da carga foi possível com a energização de um segundo transformador levado de Laranjal do Jari, no sul do estado, até a subestação Macapá. O sistema elétrico conta agora com o suprimento a partir de dois transformadores na subestação, da geração da usina hidrelétrica Coaracy Nunes e da geração térmica local instalada nesta semana.

O drama da população amapaense começou no dia 3 de novembro, quando um incêndio atingiu os transformadores da subestação Macapá, de propriedade da Linhas Macapá de Transmissão de Energia (LMTE), que era administrada pela empresa privada espanhola Isolux. A Isolux entrou em recuperação judicial e foi vendida este ano para a Gemini Energy.

Equipes da Eletronorte, subsidiária da estatal Eletrobras, foram convocadas e conseguiram colocar novamente em funcionamento um dos transformadores danificados pelo fogo, o que garantiu que a população recebesse 70% da carga de energia em sistema de rodízio até a chegada de um segundo transformador de Laranjal de Jari.

Em nota, o Stiu-AP agradeceu os empregados públicos que atuaram para o restabelecimento. “Não foi um trabalho fácil. Empregados públicos da CEA e da Eletronorte precisaram ser convocados para realizar os serviços, pois a empresa que possui a concessão para a transmissão de energia não tinha suporte. Foram dias e noites de trabalho ininterrupto, contudo, foi concluído antes do prazo estipulado, que era para esta quinta-feira, 26″, diz o sindicato.

Compensação insuficiente

Para a população do Amapá, foram mais de 20 dias de incerteza, informações desencontradas e instabilidade na rede. Na noite de 17 de novembro, houve novo blecaute que interrompeu inclusive o sistema de rodízio. A energia só foi restabelecida na madrugada do dia 18, ainda com 70% da carga.

O apagão causou todo tipo de transtorno e prejuízo, incluindo perdas de mercadorias, fechamento de pequenos comércios, queima de eletrodomésticos e até acidentes.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve adiar para janeiro o reajuste das tarifas da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), previsto para 30 de novembro. O presidente da República, Jair Bolsonaro, também anunciou em visita ao Amapá que editará uma Medida Provisória (MP) isentando a população do pagamento das tarifas de energia por 30 dias.

No entanto, o governo Bolsonaro recorreu de decisão da 2ª Vara Federal do Amapá que havia determinado o pagamento de duas parcelas extras do auxílio emergencial, no valor de R$ 600 cada, às famílias carentes do estado nas 13 cidades atingidas pelo apagão.

Nesta segunda (23), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou a decisão, atendendo a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que argumentou que o pagamento geraria custo elevado.

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