Mais de 60 entidades alertam contra privatizações no setor elétrico

“O que aconteceu em Macapá pode ser a ponta do que está por vir nos demais estados brasileiros”, afirma documento.

Crise de energia no Amapá, apagão em Macapá - Foto: Rudja Santos/Amazônia Real

Em carta, mais de 60 entidades, movimentos e partidos expressaram temor de que as privatizações que o governo federal e parte dos governos estaduais buscam promover no setor elétrico levem a novos episódios como o do Amapá, onde a população ficou sem luz por 22 dias. “O que aconteceu em Macapá pode ser a ponta do que está por vir nos demais estados brasileiros”, diz o documento.

O apagão começou após a explosão de um transformador na Subestação Macapá, da Linhas de Macapá Transmissão de Energia (LMTE), concessionária sob administração da empresa privada Gemini Energy. Inicialmente, a LMTE pertencia à empresa espanhola Isolux, que foi à falência em 2017. O documento destaca que, apesar de informada sobre falhas na administração da subestação, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não tomou qualquer atitude contra a empresa.

Documentos internos dos órgãos oficiais do governo, inclusive da Aneel, indicavam a necessidade de quatro transformadores na subestação, sendo que três deveriam funcionar plenamente e um serviria como reserva. No entanto, o transformador reserva estava desde 2019 em manutenção.

“Em menos de 10 anos de concessão sob controle privado a Subestação de Macapá explodiu, incendiou e colapsou. Passado o apagão, o problema no Amapá revelou que a energia produzida em seu território não é para o povo. Enquanto o estado está exportando grandes volumes de eletricidade ao centro do país, a população estava sem luz. A causa não foi falta de energia gerada nas usinas, mas o colapso das estruturas sucateadas de uma subestação privatizada”, afirma a carta.

“Lamentavelmente, em meio a um apagão ocasionado pela privatização, o governo federal e governadores estão querendo privatizar várias empresas, o que vai acelerar o caos e o colapso do setor elétrico, como tem sido os casos de tentativa de privatização da CEB (Distrito Federal), da CEEE (Rio Grande do Sul), do Sistema Eletrobras, entre outros. Por isso, é urgente, necessário e obrigatório o cancelamento imediato desses processos de privatização”, defende o documento.

Confira a íntegra.

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