Após conflitos, Congresso dos EUA ratifica vitória de Biden

Trump pressionava Pence – que presidiu a sessão – a não aceitar a certificação de Biden. Com a formalização, Trump afirmou que “haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro”.

O vice-presidente Mike Pence ratifica a contagem dos votos no Colégio Eleitoral

Depois de horas de interrupção da sessão devido à invasão ao Capitólio por extremistas pró-Donald Trump, o Congresso norte-americano confirmou, na madrugada desta quinta-feira (7), a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. O vice-presidente Mike Pence ratificou a contagem dos votos no Colégio Eleitoral às 5h44 (horário de Brasília). Agora, Biden tomará posse em 20 de janeiro.

“O anúncio do estado da votação pelo presidente do Senado será considerado uma declaração suficiente para as pessoas eleitas presidente e vice-presidente dos Estados Unidos para o mandato que começa no dia 20 de janeiro de 2021 e será inscrito junto à lista de votos nos jornais do Senado e da Câmara dos Representantes”, afirmou Pence antes de encerrar a sessão.

Ao retomar a sessão, Pence – que também saiu derrotado na tentativa de se reeleger vice na chapa de Trump – criticou a invasão do Capitólio e celebrou a volta da sessão: “Para aqueles que causaram estragos em nosso Capitólio hoje: vocês não ganharam”, afirmou Pence em seu discurso na reabertura. “A violência nunca vence. A liberdade vence. Ao nos reunirmos novamente nesta câmara, o mundo testemunhará novamente a resiliência e a força de nossa democracia. E esta ainda é a casa do povo. Vamos voltar ao trabalho”.

Nos EUA, o vice-presidente também ocupa o cargo de presidente do Senado. Em condições normais, a sessão seria um procedimento meramente formal. Mas Trump pressionava Pence – que presidiu a sessão – a não aceitar a certificação de Biden. Após a formalização, Trump afirmou que “haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro”.

“Embora isso represente o fim do maior primeiro mandato da história presidencial, é apenas o começo de nossa luta para tornar a América grande de novo”, afirmou o presidente americano ao reconhecer a derrota para Biden.

Quatro pessoas morreram durante os confrontos dentro do Capitólio, 52 foram presas e 14 policiais ficaram feridos, segundo a polícia. Na sessão, o primeiro democrata a falar, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, acusou diretamente o presidente Donald Trump de incentivar o comportamento dos invasores. “Agora, o dia 6 de janeiro será um dos dias mais sombrios da história recente dos Estados Unidos, um aviso final à nossa nação sobre as consequências de um presidente demagógico”, disse Schumer.

Parlamentares e jornalistas que estavam no Capitólio relataram tiros dentro do prédio. Uma mulher foi baleada e acabou morrendo algum tempo depois. Militares da Guarda Nacional foram acionados para reforçar a segurança do Capitólio. De acordo com o Pentágono, serão cerca de 1.100 soldados enviados a Washington. De acordo com a imprensa americana, 13 pessoas foram presas.

Momentos antes da invasão, Trump disse que marcharia junto com os apoiadores ao Congresso. “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas”, disse no discurso em que rejeitou, mais uma vez, reconhecer o resultado da eleição. Ele, porém, não foi à marcha.

Enquanto presidia a sessão, o vice-presidente Mike Pence pediu que os invasores deixassem o Capitólio “imediatamente” e disse que os envolvidos sofrerão consequências legais. “Protestos pacíficos estão no direito de todo americano, mas este ataque ao nosso Capitólio não vai ser tolerado”, afirmou.

Só depois foi que Trump orientou os extremistas a deixarem o Capitólio, em mensagem publicada nas redes sociais. “Vocês têm que ir para casa. Precisamos ter paz, precisamos ter lei e ordem e precisamos respeitar nosso grande pessoal de lei e ordem. Não queremos ninguém ferido”, afirmou.

Após, mais uma vez, o republicano publicar declarações infundadas de que as eleições foram alvo de fraude, o Twitter removeu as postagens e anunciou o bloqueio da conta de Trump por 12 horas.

Com informações do G1

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