Número de mortes por Covid-19 no mundo cai e Brasil soma 12% do total

País vive momento delicado com ocupação dos leitos de UTI, nova variante do vírus e falta de medidas de controle

Foto: Amazônia Real/Fotos Públicas

Mais de 12% das mortes por coronavírus no mundo estão ocorrendo no Brasil, segundo o informe epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na terça-feira (2). A população brasileira representa aproximadamente 2,7% do total de pessoas no mundo.

Após seis quedas sucessivas no número de casos de Covid-19 no mundo, a OMS registrou um aumento de 7% na semana de 21 a 28 de fevereiro. O número de mortes reduziu 6% em relação aos últimos sete dias. Foram 2,6 milhões de pessoas infectadas e 63 mil óbitos no período. No total, desde o início da pandemia, são 113 milhões de infectados e 2,5 milhões de mortes.

No Brasil, o número de casos em uma semana cresceu 18%, segundo a OMS. Apesar da taxa superior ao dobro da média mundial, outros países ainda apresentaram uma curva ainda mais acentuada. É o caso de Argentina (50%), Itália (32%) e Índia (21%).

Em relação aos óbitos, a preocupação é ainda maior. No período em questão, de 22 a 28 de fevereiro, o Brasil acumulou 8.070 mortes, o que representa mais de 12% de todas as mortes por coronavírus no mundo. Em dezembro, o número de mortes por semana era de 5,8 mil e, em janeiro, 6,9 mil óbitos semanais. Ao comparar as informações divulgadas pela OMS na terça-feira com os sete dias anteriores, o número de mortes no país cresceu 11%.

À medida que campanhas de vacinação avançam, a tendência mundial é de queda em casos fatais, como no México (14%), Alemanha (24%), Japão (12%), Reino Unido (32%) e África do Sul (11%). Os Estados Unidos continuam com o maior número de mortes por semana, com cerca de 14 mil óbitos. O número, porém, é apenas 1% maior que na semana passada, o que indica um cenário de estabilidade. O presidente Joe Biden anunciou nesta quarta-feira (3) que haverá vacinas para todos os americanos adultos até o final do mês de maio.

Taxa de transmissão

O levantamento do Imperial College de Londres indica que a taxa de transmissão (Rt) no Brasil é de 1,13, conforme divulgado nesta terça. Isso representa um aumento em relação às semanas passadas, quando a taxa foi de 1,02 e 1,05.  

O Rt é um indicador de quantas pessoas são infectadas a partir de um transmissor. Ou seja, no Brasil, a cadeia de transmissão não está sendo interrompida e 100 pessoas infectadas transmitem a doença para outras 113. O Rt é um dos principais indicadores para acompanhar a evolução epidêmica e deve ficar abaixo de 1 para ocorrer uma desaceleração no contágio.

Um dos fatores que as autoridades brasileiras citam para justificar o aumento nos casos é a variante brasileira do coronavírus, que provavelmente emergiu em Manaus no fim de 2020. A pesquisa de Oxford publicada na segunda (1) indica que a nova cepa pode causar uma nova infecção mesmo em quem já teve a doença e pode ser até 2,2 vezes mais transmissível do que as outras variantes do vírus.

Capacidade máxima

A falta de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ocorre nacionalmente pela primeira vez desde o início da pandemia. Com aumento de casos e inépcia do governo federal em estabelecer medidas de controle coordenadas, gestores locais e regionais temem o colapso dos sistemas de saúde.

A situação é grave em 18 estados, onde a ocupação de leitos de UTI passa de 80%. Em nove capitais, 90% dos leitos dessas unidades estão lotados.

No Rio Grande do Sul, os leitos de UTI foram completamente ocupados nesta terça-feira às 14h07. A Secretaria Estadual de Saúde registrou 2.820 pacientes internados, dois acima da capacidade máxima do estado. No final da tarde, o percentual já havia reduzido.

Em Porto Alegre, o Hospital Moinhos de Vento alugou um contêiner refrigerado para alocar os pacientes mortos, após o necrotério local ultrapassar sua capacidade.

Em Santa Catarina, o sistema de saúde não conseguiu absorver a demanda e 35 pessoas morreram enquanto aguardavam leitos especializados para a doença, seja em UTI ou enfermaria.

No Rio Grande do Norte, na região metropolitana de Natal e na cidade de Mossoró, os dois principais centros do estado, não há vagas de UTI. Nas últimas semanas de fevereiro, morreram 39 pessoas a espera de um leito de terapia intensiva.

Em São Paulo, os números desta terça da Secretaria Estadual da Saúde apontam que as de ocupação dos leitos públicos de UTI em 75,5% na Grande São Paulo e 74,3% no estado.

Na rede privada, segundo levantamento da Folha de S.Paulo feito na terça-feira, as taxas são ainda maiores. O Hospital Israelita Albert Einstein registrou ocupação de 99%, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz está com lotação máxima e a Beneficência Portuguesa tem mais internados que vagas na UTI. A maioria dos hospitais consultados pela Folha apresentam taxa de ocupação acima de 80%.

No Distrito Federal, a ocupação dos leitos de UTI públicos estava em 90% na terça-feira. Foram registradas 92 pessoas na lista de espera, sendo que 30 deles com suspeita ou confirmação de Covid-19.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo e Uol

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