Com Bolsonaro e pandemia, inflação chega a 8,35% em 12 meses

Conta de luz subiu 1,95% apenas em junho. No acumulado em 12 meses, a alta da energia elétrica residencial é de 14,20%.

A inflação oficial do País – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – fechou em 0,53% em junho, acumulando alta de 8,35% nos últimos 12 meses. No primeiro semestre de 2021, a alta é de 3,77% – acima do centro da meta do governo Jair Bolsonaro para 2021. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além da pandemia de Covid-19, os preços sofrem com os desajustes do bolsonarismo, sobretudo no setor energético. Mais uma vez, a vilã do mês foi a energia elétrica. Com o “apagão de Bolsonaro” – que vai levar o País a um novo racionamento –, a conta de luz subiu 1,95% apenas em junho. No acumulado em 12 meses, a alta da energia elétrica residencial é de 14,20%.

“A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho e acrescenta R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em maio, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, cujo acréscimo é menor (R$ 4,169)”, destacou o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em junho: Alimentação e bebidas (0,43%); Habitação (1,10%); Artigos de residência (1,09%); Vestuário (1,21%); Transportes (0,41%); Saúde e cuidados pessoais (0,51%); Despesas pessoais (0,29%); e Educação (0,05%). A única baixa ocorreu no grupo Comunicação (-0,12%).

No grupo dos transportes, os combustíveis subiram 0,87% e acumulam alta de 43,92% nos últimos 12 meses. Mais uma vez, o maior impacto veio da gasolina, que subiu 0,69% em junho, depois de um aumento de 2,87% em maio. Os preços do etanol (2,14%) e do óleo diesel (1,10%) e do gás veicular (0,16%) também registraram alta.

“Essa desaceleração na energia elétrica e nos combustíveis, embora ainda tenham tido variação positiva, contribuíram para uma inflação menor em junho”, apontou o gerente da pesquisa Pedro Kislanov.

No grupo Alimentação e bebidas, a alta de 0,43% ficou próxima à do mês anterior (0,44%). A alimentação no domicílio passou de 0,23% em maio para 0,33% em junho, principalmente por conta das carnes (1,32%), que subiram pelo quinto mês consecutivo e acumulam alta de 38,17% em 12 meses.

Com informações do G1