Festival Vermelho debate indústria, cultura e combate às desigualdades

‘Diálogos Vermelhos’ reuniu as ministras Margareth Menezes (Minc) e Luciana Santos (MCTI), Rafael Lucchesi (CNI) Antônio Lacerda (BNDES), Adilson Araújo (CTB)

Luciana Santos (MCTI) e Margareth Menezes (Minc). Foto Fernando Udo

Um debate sobre a relação entre indústria, cultura, desenvolvimento sustentável e combate às desigualdades marcou o segundo dia da 2ª edição do Festival Vermelho, neste sábado (23), em Salvador. O ‘Diálogos Vermelhos’ reuniu duas ministras do governo Lula: Margareth Menezes (Cultura) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), que também preside nacionalmente o PCdoB.

Também participaram Rafael Lucchesi, diretor de Inovação da Confederação Nacional das Indústrias (CNI); Antônio Corrêa de Lacerda, assessor da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social); e Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB). A coordenação da mesa foi do secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Davidson Magalhães.

O centro das discussões foi a necessidade de construir uma nova economia, capaz de gerar um desenvolvimento sustentável e de combater com eficiência as desigualdades. Esse tem sido um entendimento do 3º governo Lula, que, em pouco mais de um ano, já tem planejamento e resultados econômicos positivos para apresentar, segundo a ministra Luciana Santos, especialmente por colocar a indústria em outro patamar.

A presidenta do PCdoB destacou algumas ações já empenhadas, como o estabelecimento de missões para a construção da nova indústria do Brasil, no prazo de dez anos (2024 a 2033). Entre as iniciativas, estão a formação de cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais, criação de um forte complexo econômico e da saúde; garantia de infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis; transformação digital da indústria; dentre outras.

Para os convidados, a reindustrialização tem um papel central para os esforços de construir o novo momento econômico. O diretor de Inovação da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) avaliou que o governo está travando uma luta muito correta pela industrialização, especialmente com o fortalecimento do BNDES.

“Sem indústria, não sei se teremos Brasil”, cravou Rafael Lucchesi. Ele ainda fez críticas ao projeto neoliberal brasileiro: “A sensação é de que o Brasil foi o que mais ganhou com o ciclo neoliberal, mas não foi. Fomos o que mais perdeu. O Brasil se desindustrializou. Nós demos um cochilo de 43 anos”.

Mais investimento

Antônio Corrêa de Lacerda, do BNDES, fez coro às defesas de Luciana e Rafael, e chamou a atenção para a necessidade de pensar a indústria de modo abrangente, que contemple não apenas a estrutura industrial, mas também a educação, a saúde e a cultura, por exemplo. É também por isso que se justifica, para ele, a necessidade de dar protagonismo ao Banco, no novo momento do Brasil.

“O objetivo do BNDES é voltar a ter uma participação maior no PIB [Produto Interno Bruno]. Não há notícias de um país que tenha se desenvolvido sem a indústria”, completou Lacerda.

Nacionalização da cultura

A ministra Margareth Menezes apresentou os desafios da sua pasta, após o desmonte das políticas do setor cultural promovido pelo governo anterior, de Bolsonaro. Um dos maiores objetivos é colocar a cultura em outro lugar, sendo uma das principais táticas promover o que ela chamou de ‘nacionalização do fomento’, que é promover a descentralização dos investimentos.

“O Brasil é um Brasil inteiro. Sempre pensaram que apenas o polo Rio-São Paulo tinha potencial. É importante, e está sendo fortalecido, afinal, o lema do governo Lula é ‘União e Reconstrução’. Mas estamos trabalhando para oportunizar outras regiões”, explicou a ministra da Cultura.

Entraves

O presidente da CTB trouxe, entre outras questões, as dificuldades impostas aos esforços para a construção de uma nova lógica de desenvolvimento. Destacou, especialmente, os entraves da política, a exemplo da atuação do presidente do Banco Central, Roberto Campo, indicado por Bolsonaro, que, de acordo com ele, não soma com o Brasil.

“Nós temos tudo pra dar certo, mas temos entraves. Temos um presidente do Banco Central, que não foi eleito e pratica uma taxa de juros maior do que países em guerra. Temos que levantar a bandeira ‘Fora Roberto Campos’”, defendeu.