Pacto de guerra: Trump reforça arsenal de Israel e Netanyahu ameaça o Irã

Israel recebe 1.800 bombas dos EUA e viola cessar-fogo, matando três palestinos. Rubio e Netanyahu reforçam retórica contra o Irã e falam em “terminar” o trabalho

Caminhões carregam 1.800 bombas MK-84 dos EUA, recém-desembarcadas no porto de Ashdod, rumo a bases aéreas israelenses. Foto: Reprodução

Israel recebeu na madrugada deste domingo (16) um carregamento de 1.800 bombas pesadas dos Estados Unidos, cada uma pesando cerca de 900 quilos, em uma movimentação que reforça a continuidade do apoio militar norte-americano ao país, apesar da vigência de um cessar-fogo na Faixa de Gaza. 

O armamento, que havia sido retido pela administração anterior de Joe Biden, chegou ao porto de Ashdod e foi transportado em caminhões para bases aéreas israelenses, poucas semanas depois de Donald Trump autorizar a liberação do envio.

A remessa coincide com a visita oficial do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que esteve em Israel para encontros com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar. 

Durante as reuniões, Rubio reiterou a posição da administração Trump em relação ao Oriente Médio, afirmando que o Hamas “deve ser erradicado” e que o grupo palestino “não pode continuar existindo como força militar ou governamental”. Netanyahu, por sua vez, reforçou que Israel está determinado a “terminar o trabalho” em relação ao Irã, a quem acusa de ser o maior patrocinador do terrorismo na região.

“Israel e os Estados Unidos estão ombro a ombro para combater a ameaça do Irã”, declarou Netanyahu. O primeiro-ministro também afirmou que Trump é “o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca”.

A chegada do armamento levanta preocupações sobre a continuidade do cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos e pelo Egito, e que entrou em vigor em janeiro. A trégua permitiu a troca de prisioneiros israelenses por prisioneiros palestinos, mas a escalada de tensões nos últimos dias indica que o acordo pode estar por um fio. 

Na manhã de domingo, um ataque israelense com drones atingiu homens armados em Gaza, resultando na morte de três policiais do Hamas. O bombardeio foi visto como uma retaliação à ameaça do Hamas de não efetuar as trocas de prisioneiros deste sábado (15) após Israel deixar de cumprir partes do acordo.

O grupo palestino denunciou a ofensiva como uma “grave violação” do cessar-fogo. “O bombardeio traiçoeiro realizado por um drone sionista nesta manhã (…) constitui uma grave violação do acordo de cessar-fogo”, declarou o Hamas em um comunicado.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, celebrou o recebimento das bombas americanas, destacando que o envio representa “um ativo significativo para a Força Aérea e para as FDI (Forças de Defesa de Israel)”. Katz também agradeceu a Donald Trump pelo “apoio inabalável” ao país.

A entrega do carregamento marca mais um passo no alinhamento estratégico entre Israel e os EUA sob a atual administração. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, Washington enviou mais de 76 mil toneladas de equipamento militar a Israel, incluindo munições, blindados e sistemas avançados de defesa. 

Embora Biden tenha restringido a exportação das bombas MK-84 no ano passado, citando preocupações com o impacto sobre a população civil de Gaza, Trump revogou a medida logo após assumir a presidência, argumentando que “paz se alcança com força”.As implicações da chegada dessas bombas pesadas são profundas.

A administração Trump reafirma seu compromisso em fornecer armamentos a Israel, mesmo diante de uma trégua frágil. Enquanto isso, as tensões seguem elevadas, com Netanyahu declarando que “os portões do inferno serão abertos se todos os reféns não forem libertados”.

Em um Oriente Médio já inflamado, a chegada dessas munições pode ser o prenúncio de um novo capítulo de escalada militar na região, agora envolvendo o Irã e os Estados Unidos.

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