Presidente do Chile vem ao Brasil para discutir rota bioceânica e laços comerciais

Boric prioriza integração regional e enfrenta desafios no comércio com os EUA

Líderes falaram sobre a situação política da América Latina, especialmente em relação ao governo de Donald Trump, nos EUA - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente do Chile, Gabriel Boric, fará uma visita oficial ao Brasil entre os dias 22 e 23 de abril, tendo como pauta prioritária a discussão sobre as obras da rota terrestre que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico na América do Sul. A chamada “Rota Bioceânica de Capricórnio” atravessará o Brasil, Paraguai e Argentina, conectando portos dos dois oceanos e impulsionando o comércio regional.

A rota e o projeto de integração

A iniciativa conectará os portos brasileiros de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Itajaí (SC) aos portos chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta, passando pelo Paraguai e Argentina. O projeto, coordenado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento do Brasil, é uma das prioridades da ministra Simone Tebet dentro do esforço de infraestrutura para a integração sul-americana.

Boric se encontrará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 22 de abril e solicitou que um seminário bilateral fosse realizado para discutir os impactos comerciais e turísticos da nova rota. A previsão é que a infraestrutura esteja concluída até 2026, durante o atual governo brasileiro. Para isso, faltam duas obras essenciais: a construção de uma ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai) e o asfaltamento de um trecho entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, ambos no Paraguai. Ambas estão previstas para conclusão em 2025.

Em laranja, a rota transoceânica:

Desafios comerciais com os Estados Unidos

Enquanto discute avanços na integração sul-americana, Boric também enfrenta desafios no comércio exterior, especialmente com os Estados Unidos. O presidente chileno criticou as barreiras comerciais impostas pelo ex-presidente Donald Trump, chamando-as de “unilaterais” e contrárias às regras do comércio internacional.

Atualmente, o Chile se preocupa com a iminente imposição de tarifas ao cobre chileno, principal produto de exportação do país. Essas medidas podem entrar em vigor nos próximos meses, adiantando-se ao cronograma inicialmente previsto. Durante uma entrevista na Índia, onde cumpre agenda bilateral, Boric enfatizou que o governo chileno já tomou medidas para mitigar os impactos dessas tarifas, promovendo um esforço conjunto entre setor público e privado para lidar com os desafios e identificar novas oportunidades de mercado.

Acordo de Livre Comércio e perspectivas para o futuro

Para lidar com essas questões, a subsecretária de Relações Econômicas Internacionais do Chile, Claudia Sanhueza, anunciou que o comitê que avalia o Acordo de Livre Comércio (FTA) entre Chile e EUA se reunirá em junho. Esse encontro abrirá espaço para negociações que possam minimizar os impactos das tarifas e explorar oportunidades comerciais.

Sanhueza destacou que, com as novas tarifas, os preços de bens importados podem mudar, e o Chile pode encontrar brechas para beneficiar suas exportações aos EUA. Apesar do cenário desafiador, o governo chileno busca manter o diálogo com Washington. “Há disposição para dialogar, conversar e continuar trabalhando”, afirmou um economista da coalizão Frente Amplio.

A visita de Boric ao Brasil reforça não apenas a cooperação bilateral, mas também a importância da integração regional frente a um ambiente global desafiador. Com a nova rota bioceânica em andamento e esforços para manter mercados abertos, o Chile aposta em parcerias estratégicas para garantir crescimento e estabilidade.

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