Do Rio a Paris: homenagens emocionam e mantêm vivo o legado de Preta Gil
Legado da cantora é lembrado no Rio, ao lado do pai, e na capital francesa, diante de 60 mil pessoas que celebraram sua trajetória artística.
Publicado 16/09/2025 12:27 | Editado 16/09/2025 14:13
A orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, ganhou uma nova homenagem à música popular brasileira: uma estátua da cantora Preta Gil foi instalada ao lado da estátua de seu pai, Gilberto Gil. A escultura celebra a trajetória da artista, que morreu em julho deste ano, aos 50 anos, vítima de um câncer agressivo no intestino.
O monumento foi colocado próximo à residência de Gilberto Gil, reforçando a ligação da família com a cidade e com a cultura nacional. A homenagem, organizada pelo quiosque Areia MPB e administrado pela Orla Rio, foi responsável também pela instalação da estátua do cantor e ex-ministro da Cultura em 2023.

Além da obra em bronze, Preta Gil já havia sido lembrada pelo carnaval carioca. Recentemente, o trajeto oficial dos megablocos foi rebatizado como “Circuito Preta Gil”, consolidando seu nome como símbolo da folia de rua na cidade.
A nova estátua busca perpetuar a memória de uma das vozes mais autênticas da música brasileira. Segundo Bruno de Paula, sócio do Areia MPB, a estátua da Preta foi um pedido dos próprios fãs, que queriam vê-la eternizada ao ladoda imagem do pai. “Para nós, é uma honra atender a esse desejo e transformar o Quiosque Areia em um espaço de memória e afeto. Mais do que uma homenagem, é um símbolo da força da música brasileira e da conexão entre gerações”, destacou.
Homenagem à Preta também marca presença em Paris
O legado de Preta Gil também foi celebrado na França. Durante a tradicional Lavagem da Madeleine, evento realizado há 24 anos em Paris e que integra o calendário cultural da capital francesa, a cantora foi homenageada com um minuto de silêncio.
Preta, que foi a primeira madrinha da lavagem e participou de diversas edições da festa, foi lembrada junto à jornalista baiana Wanda Chase, ativista do movimento negro que faleceu em abril, durante uma cirurgia de aneurisma. Um banner com as imagens de ambas foi estendido do lado de fora da igreja da Madeleine, reforçando sua presença marcante no evento.

Segundo os organizadores, 60 mil pessoas participaram da caminhada que percorreu a Place de la République até a Place de la Madeleine, acompanhada de apresentações musicais, entre elas a do Olodum. O tributo ressaltou o papel de Preta Gil como símbolo da cultura brasileira também em território internacional.
Criado em 1998 pelo dançarino baiano Robertinho Chaves, o evento é inspirado na tradicional lavagem do Bonfim, em Salvador, e se consolidou na Madeleine a partir de 2002. Em 2025, a celebração fez parte da programação do Ano do Brasil na França, que comemora os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
A Lavagem da Madeleine é a versão parisiense da tradicional Lavagem do Bonfim, realizada em Salvador. Criada em 1998 pelo dançarino baiano Robertinho Chaves, a celebração combina música, cortejo cultural e ritual religioso, no qual baianas lavam com água de cheiro os degraus da igreja da Madeleine. O evento, que ocorre anualmente, se consolidou em 2002 e hoje faz parte do calendário oficial de Paris, celebrando a cultura afro-brasileira e a força das tradições baianas em território francês.
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com agências