Relator tenta salvar mandato do amigo Eduardo Bolsonaro

O deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG), que já se declarou amigo do filho 03 de Jair Bolsonaro, foi acusado de agir com parcialidade

(Foto: Reprodução)

Relator do processo de cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG) recomendou o arquivamento do pedido no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Após pedido de vista, a decisão final do processo foi adiada para a próxima semana.

O relator, que já se declarou amigo do filho 03 de Jair Bolsonaro, foi acusado de agir com parcialidade.

“Essa indicação compromete a confiança no Conselho. Quando o julgador é alguém próximo ao investigado, a suspeita de favorecimento é inevitável e a instituição perde autoridade. O que se espera é julgamento justo e não condescendência”, reage o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).

O pedido de cassação foi feito pelo presidente nacional do PT, senador Humberto Costa (PE) e pelo deputado Paulão (AL).

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Para o senador, a decisão do relator é revoltante. “O deputado abandonou o mandato para ir para os EUA e conspirar contra o Brasil e segue sem punição”, protesta.

Na representação, o partido alega que o filho de Bolsonaro estabeleceu residência nos Estados Unidos de onde, por diversos canais e plataformas, tem difamado as instituições brasileiras, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros.

“Em entrevista recente à CNN Brasil, o representado declarou textualmente: ‘Sem anistia para Jair Bolsonaro, não haverá eleições em 2026’. A assertiva constitui grave ameaça à ordem constitucional e à realização do processo eleitoral, núcleo duro da soberania popular”, diz um trecho do documento.

De acordo com a representação, as manifestações dele não se encerram na esfera opinativa, mas obteve êxito parcial ao influenciar autoridades do governo estadunidense a imporem sanções contra integrantes do STF.

Além disso, as tratativas do filho do ex-presidente resultaram na imposição de tarifas discriminatórias contra exportações brasileiras, acarretando impacto direto à economia nacional.

“Na esteira da decisão do governo dos Estados Unidos de revogar seu visto diplomático, o representado passou a intensificar sua atuação no exterior contra instituições brasileiras, em claro esforço de internacionalização de sua retórica golpista, buscando apoio em interlocutores estrangeiros contra a ordem constitucional brasileira”, justifica o pedido.

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