China exige libertação de Maduro e acusa EUA de violar a Carta da ONU

Pequim afirma que ataque ignorou o Conselho de Segurança da ONU e diz que a agressão esvazia décadas da retórica dos EUA como suposto guardião das regras internacionais

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sob custódia dos Estados Unidos após operação militar denunciada pela China como violação do direito internacional. Foto: Reprodução

A China exigiu neste domingo (4) a libertação imediata do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, após o ataque militar conduzido pelos Estados Unidos que resultou na captura e no sequestro do casal do país.

Em nota divulgada pela chancelaria, Pequim exigiu que Washington “garanta a segurança pessoal de Nicolás Maduro e de sua esposa, os liberte imediatamente, cesse a derrubada do governo da Venezuela e resolva a questão por meio do diálogo e da negociação”.

Os chineses afirmam que “a ação dos Estados Unidos constitui uma clara violação do direito internacional, das normas básicas das relações internacionais e dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

A China já havia condenado neste sábado (3) a ação dos EUA. Em declaração oficial, o ministério das Relações Exteriores afirmou estar “profundamente chocado” com o que classificou como o “uso descarado da força contra um Estado soberano”.

Pequim  também criticou a atuação dos Estados Unidos no sistema multilateral. “Ao contornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, Washington voltou a agir em oposição direta aos princípios do direito internacional”, criticou.

Pela Carta da ONU, o uso da força contra outro país só é admitido mediante autorização do Conselho de Segurança ou em caso de legítima defesa.

“Essa agressão também esvazia décadas da retórica dos Estados Unidos que posiciona o país como guardião das regras internacionais. Ao contornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, Washington voltou a agir em oposição direta aos princípios do direito internacional”, afirmou a agência estatal chinesa Xinhua, em comentário editorial.

A China figura como a maior compradora do petróleo venezuelano, em muitos casos por meio de intermediários, em meio às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados à Venezuela ao longo dos últimos anos.

Em comentário editorial, a agência estatal chinesa Xinhua enquadrou a ofensiva contra a Venezuela como parte de uma lógica mais ampla de controle regional por parte de Washington. 

Citando análise da imprensa norte-americana, o texto afirma que, por trás da operação, estão “ambições mais amplas dos Estados Unidos de reforçar o controle sobre seu entorno imediato”, associadas ao que descreve como uma “Doutrina Monroe atualizada”.

Para a Xinhua, ainda que essa doutrina não seja proclamada abertamente, sua lógica permanece ativa, com o Hemisfério Ocidental tratado como “esfera exclusiva de influência” dos Estados Unidos. 

O editorial conclui que, “por meio de suas próprias ações reiteradas”, Washington passou a se revelar como “uma das mais sérias ameaças à própria ordem internacional que afirma defender”.

Diante desse cenário, a agência sustenta que “falar de forma inequívoca em defesa da soberania e do multilateralismo deixou de ser opcional” para o restante do mundo.

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