China exige libertação de Maduro e acusa EUA de violar a Carta da ONU
Pequim afirma que ataque ignorou o Conselho de Segurança da ONU e diz que a agressão esvazia décadas da retórica dos EUA como suposto guardião das regras internacionais
Publicado 04/01/2026 10:57 | Editado 04/01/2026 18:51
A China exigiu neste domingo (4) a libertação imediata do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, após o ataque militar conduzido pelos Estados Unidos que resultou na captura e no sequestro do casal do país.
Em nota divulgada pela chancelaria, Pequim exigiu que Washington “garanta a segurança pessoal de Nicolás Maduro e de sua esposa, os liberte imediatamente, cesse a derrubada do governo da Venezuela e resolva a questão por meio do diálogo e da negociação”.
Os chineses afirmam que “a ação dos Estados Unidos constitui uma clara violação do direito internacional, das normas básicas das relações internacionais e dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.
A China já havia condenado neste sábado (3) a ação dos EUA. Em declaração oficial, o ministério das Relações Exteriores afirmou estar “profundamente chocado” com o que classificou como o “uso descarado da força contra um Estado soberano”.
Pequim também criticou a atuação dos Estados Unidos no sistema multilateral. “Ao contornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, Washington voltou a agir em oposição direta aos princípios do direito internacional”, criticou.
Pela Carta da ONU, o uso da força contra outro país só é admitido mediante autorização do Conselho de Segurança ou em caso de legítima defesa.
“Essa agressão também esvazia décadas da retórica dos Estados Unidos que posiciona o país como guardião das regras internacionais. Ao contornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, Washington voltou a agir em oposição direta aos princípios do direito internacional”, afirmou a agência estatal chinesa Xinhua, em comentário editorial.
A China figura como a maior compradora do petróleo venezuelano, em muitos casos por meio de intermediários, em meio às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados à Venezuela ao longo dos últimos anos.
Em comentário editorial, a agência estatal chinesa Xinhua enquadrou a ofensiva contra a Venezuela como parte de uma lógica mais ampla de controle regional por parte de Washington.
Citando análise da imprensa norte-americana, o texto afirma que, por trás da operação, estão “ambições mais amplas dos Estados Unidos de reforçar o controle sobre seu entorno imediato”, associadas ao que descreve como uma “Doutrina Monroe atualizada”.
Para a Xinhua, ainda que essa doutrina não seja proclamada abertamente, sua lógica permanece ativa, com o Hemisfério Ocidental tratado como “esfera exclusiva de influência” dos Estados Unidos.
O editorial conclui que, “por meio de suas próprias ações reiteradas”, Washington passou a se revelar como “uma das mais sérias ameaças à própria ordem internacional que afirma defender”.
Diante desse cenário, a agência sustenta que “falar de forma inequívoca em defesa da soberania e do multilateralismo deixou de ser opcional” para o restante do mundo.