Lula e Xi falam por telefone e defendem centralidade da ONU no cenário global
Diálogo ocorre em meio ao agravamento das tensões internacionais e ao anúncio do Conselho da Paz por Trump
Publicado 23/01/2026 10:18 | Editado 23/01/2026 16:35
Em ligação telefônica nesta quinta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Xi Jinping, reafirmaram a defesa do papel central da ONU e a atuação conjunta de Brasil e China como forças do Sul Global diante do agravamento das tensões internacionais.
A conversa ocorre em meio ao cenário internacional marcado por instabilidade e pelo tensionamento causado pelo segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que Brasil e China têm responsabilidades comuns diante deste cenário geopolítico.
O presidente Xi Jinping afirmou que Brasil e China devem atuar de forma conjunta para proteger os interesses do Sul Global, defender a equidade e a justiça internacionais e salvaguardar o papel central da ONU na governança global.
No mesmo dia, o governo dos Estados Unidos lançou o chamado “Conselho da Paz”, iniciativa apresentada pela administração de Donald Trump e vista por parte da comunidade internacional como uma tentativa de esvaziar a ONU.
Brasil e China foram convidados a integrar o novo organismo, mas ainda não confirmaram adesão. O anúncio foi feito durante o Fórum Econômico de Davos, sem a presença de grandes aliados ocidentais de Washington.
O novo conselho se insere em um contexto mais amplo de críticas recorrentes do governo Trump às Nações Unidas e da defesa de mecanismos paralelos de mediação internacional.
De acordo com a Xinhua, Xi também afirmou que China e Brasil são “forças construtivas” na defesa da paz mundial e no aprimoramento da governança global.
Para o líder chinês, a atuação coordenada entre os dois países ganha relevância diante do enfraquecimento do multilateralismo e da adoção crescente de ações fora dos mecanismos tradicionais de mediação internacional.
Ainda segundo a agência, Xi reiterou que a China está disposta a seguir como “boa amiga e parceira” dos países da América Latina e do Caribe, reafirmando uma posição já consolidada da diplomacia chinesa.
Nesse contexto, defendeu o avanço da construção de uma comunidade China–América Latina com futuro compartilhado, apresentada por Pequim como parte de uma estratégia de cooperação entre países do Sul Global.
O presidente chinês também afirmou que o desenvolvimento de alta qualidade da China, associado a uma abertura de alto nível, deve criar novas oportunidades de cooperação com o Brasil em áreas como agricultura, infraestrutura e transição energética.
Xi destacou que 2026 marca o início do 15º Plano Quinquenal chinês e manifestou disposição para aprofundar a cooperação mutuamente benéfica em diversos setores, ampliando as relações bilaterais.
Do lado brasileiro, Lula afirmou que a visita de Xi ao Brasil, em 2024, elevou as relações entre os dois países a um novo patamar e ressaltou os avanços obtidos na cooperação bilateral em diferentes áreas.
O presidente brasileiro também destacou o papel de Brasil e China na defesa do multilateralismo e na promoção do livre comércio, temas recorrentes na atuação conjunta em fóruns como o G20 e o Brics.
Diante de um cenário internacional considerado preocupante, Lula teria reafirmado a disposição do Brasil em atuar de forma próxima à China para preservar a autoridade das Nações Unidas e fortalecer a cooperação entre os países do Brics, com o objetivo de contribuir para a paz e a estabilidade regionais e globais.