México aprova redução da jornada para 40 horas

Reforma aprovada por unanimidade reduz carga de 48 para 40 horas até 2030, sem corte salarial. Medida beneficiará cerca de 13,5 milhões de trabalhadores formais

Parlamentares mexicanos exibem cartazes com “40 horas já!” no plenário do Senado durante a votação que aprovou, por unanimidade, a reforma que reduz gradualmente a jornada semanal para 40 horas. Foto: reprodução

O Senado do México aprovou, por unanimidade, a reforma constitucional que reduz a jornada semanal de trabalho de 48 para 40 horas. A proposta recebeu 121 votos favoráveis e nenhum contrário, consolidando uma mudança histórica no regime laboral do país.

A medida altera o artigo 123 da Constituição e estabelece a implementação gradual da nova jornada entre 2027 e 2030. A redução será de duas horas por ano até alcançar as 40 horas semanais, sem que isso implique diminuição de salários ou benefícios.

Caso seja confirmada pela Câmara dos Deputados, a reforma beneficiará cerca de 13,5 milhões de trabalhadores formais e representará a primeira alteração estrutural da jornada constitucional mexicana desde 1917.

Pelo texto aprovado, o ano de 2026 funcionará como período de adaptação para empresas e trabalhadores. 

A partir de janeiro de 2027, a jornada máxima passará para 46 horas semanais. Em 2028 será reduzida para 44 horas, em 2029 para 42 horas e, em 2030, entrará em vigor o limite de 40 horas.

A reforma também determina que a redução da carga horária não poderá resultar em corte de salários, vencimentos ou benefícios. O projeto inclui ainda a proibição de horas extras para menores de idade e concede prazo de 90 dias, após a promulgação, para que o Congresso adapte a Lei Federal do Trabalho às novas regras constitucionais.

Durante o debate, parlamentares da base do governo Claudia Sheinbaum classificaram a proposta como um avanço no marco do chamado Estado constitucional de bem-estar. 

Ao apresentar o parecer, o senador Enrique Inzunza afirmou que a iniciativa “não é isolada nem conjuntural; é profundamente coerente com o espírito da etapa de transformação que vive a nação e com a consolidação do Estado constitucional de bem-estar que empreendemos”.

O presidente da Comissão de Pontos Constitucionais, Óscar Cantón Zetina, definiu a mudança como “uma reforma histórica” e sustentou que o objetivo é consolidar na Constituição um direito permanente para os trabalhadores. 

Segundo ele, “queremos que seja um direito blindado na Constituição que não dependa da vontade de ninguém”.

O México figura entre os países com maior carga horária anual dentro da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo dados citados no debate parlamentar, trabalhadores mexicanos superam, em média, 2.100 horas por ano, acima da média do bloco. Cerca de 27% dos ocupados trabalham mais de 48 horas semanais.

A proposta foi apresentada pela presidenta Claudia Sheinbaum em dezembro, após rodadas de diálogo com representantes sindicais e empresariais. O projeto retoma discussões iniciadas no governo anterior e avança em um contexto regional marcado por disputas sobre direitos trabalhistas.

Com a aprovação unânime no Senado, a iniciativa segue agora para a Câmara dos Deputados, última etapa do processo legislativo antes da promulgação.

Autor