PIB de 2025 vai a 2,3% e atinge R$ 12,7 trilhões sob freio da Selic

Agronegócio salta 11,7% e sustenta Produto Interno Bruto; desempenho é marcado pela pujança do campo exportador e pelo “garrote dos juros” na indústria e serviço

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encerra o ano de 2025 com uma expansão de 2,3% e atinge o valor nominal de R$ 12,7 trilhões, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (2). O resultado consolida uma trajetória de resiliência, embora revele uma economia nitidamente dividida pelo impacto da política monetária. Enquanto a agropecuária registra um salto extraordinário de 11,7% no período, impulsionada por safras recordes de soja e milho, a indústria nacional avança apenas 1,4%, atingida pelo ambiente restritivo de crédito. 

O PIB per capita acompanha a tendência de alta e alcança R$ 59.687,49 com um ganho real de 1,9%, apesar da desaceleração do ritmo de crescimento em comparação aos 3,4% registrados em 2024.

Resistência brasileira no cenário global

Com a taxa básica de juros no patamar de 15% ao ano desde junho, o custo do capital tornou-se um obstáculo para o consumo e a produção. Embora “ostente” um dos maiores juros reais do mundo, o país conseguiu superar taxas de crescimento de nações com perfis semelhantes, como o México, que cresceu 0,6%, e a África do Sul, que ficou em 1,1%. 

O peso dos setores e a voz oficial

Durante a coletiva de divulgação dos dados, a Coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que os setores em evidência no ano são justamente os menos influenciados pelos juros e com forte presença nas exportações, ressaltando ainda que o resultado do quarto trimestre, com alta de apenas 0,1% frente ao período anterior, reflete a acomodação da economia sob a pressão monetária.

A análise do IBGE reforça que o setor de serviços, responsável por 68,9% do peso no PIB, cresceu 1,8%, enquanto a indústria de transformação sofreu uma retração de 0,2%, asfixiada pelas condições de crédito. 

Em nota oficial, o ministro da Fazenda pontuou que “o Brasil provou sua solidez ao crescer 2,3% mesmo enfrentando as taxas mais restritivas do planeta”, afirmando que o país chegou aos R$ 12,7 trilhões com responsabilidade fiscal e que o foco agora é criar espaço para que o Banco Central inicie o ciclo de queda da Selic em 2026, permitindo que a indústria volte a respirar.