Irã detalha 10 pontos do acordo de cessar-fogo aceito pelos EUA

Plano inclui fim de hostilidades no Iraque, Líbano e Iêmen, levantamento de sanções, indenização e reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz

Segundo o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o "inimigo" sofreu uma "derrota inegável, histórica e esmagadora" em sua guerra contra a nação iraniana, enfatizando que a bravura dos combatentes na linha de frente e a presença histórica do povo iraniano foram cruciais para essa vitória

O Irã divulgou os dez pontos que compõem o acordo de cessar-fogo aceito pelos Estados Unidos, marcando uma inflexão diplomática após 40 dias de conflito no Oriente Médio. As negociações para detalhar o acordo ocorrerão em Islamabad, capital do Paquistão, mediador da trégua de duas semanas anunciada na noite desta terça-feira.

Em comunicado, o Irã classificou o acordo como “vitória histórica” e “derrota inegável” do “inimigo”, atribuindo o resultado à “bravura dos combatentes” e à “presença do povo iraniano”. A narrativa oficial busca consolidar internamente a percepção de que a resistência forçou concessões de Washington.

Os dez pontos do acordo

Segundo o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, os termos aceitos por Washington são:

  1. Interrupção total das hostilidades no Iraque, Líbano e Iêmen, abrangendo todas as forças do “eixo da resistência”.
  2. Cessação permanente e irrevogável de todos os ataques contra o Irã, sem limite de tempo.
  3. Fim integral de todos os conflitos na região do Oriente Médio.
  4. Reabertura do Estreito de Ormuz, via estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
  5. Estabelecimento de protocolo que garanta liberdade e segurança da navegação no Estreito, em coordenação com as forças iranianas.
  6. Pagamento integral de indenização para reconstrução de infraestruturas danificadas no Irã.
  7. Levantamento total de todas as sanções econômicas, financeiras e comerciais contra o Irã.
  8. Liberação de fundos e ativos iranianos congelados no exterior, especialmente nos Estados Unidos.
  9. Compromisso formal do Irã de não desenvolver armas nucleares.
  10. Implementação imediata do cessar-fogo em todas as frentes, após aceitação das condições anteriores.

Controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz

Um dos pontos centrais do acordo é o reconhecimento implícito do papel do Irã na gestão da segurança do Estreito de Ormuz. O texto estabelece que a passagem de navios será feita “em coordenação com as forças iranianas e levando em consideração as limitações técnicas”, conferindo a Teerã capacidade de fiscalização operacional sobre a rota energética crítica.

Sanções e indenizações: o núcleo econômico

Os pontos 6, 7 e 8 formam o núcleo econômico do acordo: levantamento de sanções, liberação de ativos congelados e indenização por danos de guerra. Estima-se que bilhões de dólares em recursos iranianos estejam bloqueados em instituições financeiras internacionais, principalmente nos EUA. A reconstrução de infraestruturas atingidas nos últimos 40 dias de conflito representa um custo adicional que Teerã busca transferir aos adversários.

Questão nuclear: compromisso sem concessões

O ponto 9 reafirma o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares — posição que Teerã já defendia publicamente, distinguindo entre programa nuclear civil (permitido) e militar (proibido pelo Tratado de Não Proliferação). Analistas avaliam que a formulação busca oferecer garantias aos EUA sem exigir abandono do enriquecimento de urânio para fins energéticos.

Islamabad como palco diplomático

As negociações para operacionalizar o acordo ocorrerão em Islamabad, sob mediação paquistanesa. O prazo inicial é de duas semanas, prorrogável por mútuo acordo. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã enfatizou que o processo será conduzido “sob a supervisão dos líderes revolucionários” e convocou “unidade nacional” para evitar declarações divisivas.

Para analistas, o acordo representa mais uma pausa tática do que solução definitiva. A implementação dos dez pontos exigirá mecanismos de verificação, cronogramas claros e, sobretudo, confiança mínima entre as partes — elemento escasso após décadas de hostilidade.

Sem confirmação oficial de Israel

Embora a CNN tenha noticiado que Israel também concordou com o cessar-fogo, não houve confirmação oficial de autoridades israelenses ou americanas. Essa assimetria de comunicação reforça a dubiedade do acordo e o risco de mal-entendidos operacionais nas próximas semanas.

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