Defesa de Ramagem tenta asilo nos EUA para barrar extradição ao Brasil

Após prisão em Orlando, ex-diretor da Abin busca refúgio político para evitar cumprimento de pena de 16 anos por crimes contra a democracia

Ficha de prisão de Alexandre Ramagem

A defesa do ex-agente bolsonarista Alexandre Ramagem intensificou, nos últimos dias, a estratégia de solicitar asilo político nos Estados Unidos. O objetivo é travar o processo de envio do condenado ao Brasil, utilizando a tese de “perseguição política”. Aliados próximos, como o senador Jorge Seif (PL-SC), já se manifestaram publicamente para dar sustentação política a essa narrativa, tentando transformar um caso de condenação criminal em uma questão de refúgio de direitos.

Essa movimentação é vista pelas autoridades brasileiras como uma manobra clara para impedir a deportação ou extradição. O diretor-geral da Polícia Federal rebateu as tentativas da defesa de desvirtuar o caso. “Não há perseguição política. Há condenação por crimes graves contra a democracia”, reforçou Andrei Rodrigues, em declaração reproduzida pela Agência Brasil.

 O governo brasileiro, via Itamaraty e Ministério da Justiça, mantém a pressão pela extradição baseado no tratado de 1965 para que Ramagem cumpra a pena imposta pelo STF. O ex-diretor da Abin, que estava foragido desde o ano passado, tentava se manter invisível em território americano até ser abordado em uma fiscalização de trânsito rotineira, o que desencadeou o processo atual.

A foto oficial do fichamento

A imagem do fichamento de Ramagem foi liberada pelas autoridades do Condado de Orange e circula amplamente. Nela, o ex-dirigente aparece com moletom verde, barba por fazer e expressão séria. O registro oficial, datado de 13/04/2026, traz o número de reserva 26013314 e indica que ele está na cela BRC3D. A legenda do sistema americano é direta: “DETENÇÃO DE IMIGRAÇÃO”.

Alexandre Ramagem está sob custódia do ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement) no Orange County Corrections. Sua detenção ocorreu por irregularidade migratória, o chamado overstay (visto expirado), uma vez que seus documentos diplomáticos foram cancelados após a condenação no Brasil. O sistema de imigração dos EUA agora processa sua permanência, enquanto o Brasil aguarda que os trâmites resultem em sua entrega imediata à justiça brasileira.

Cooperação policial internacional 

Segundo nota oficial da PF, Ramagem foi capturado após “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito

Ramagem é considerado o articulador central da “Abin paralela” montada no governo Bolsonaro. Sua prisão reforça o compromisso do governo Lula com o combate aos ataques contra o Estado Democrático de Direito. Ele é apontado como peça-chave nas investigações sobre a estrutura de inteligência que subsidiou as ações golpistas e os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.