Na OMS, Cuba acusa EUA de promover ‘genocídio’ com bloqueio energético
Ministra cubana denunciou os impactos da falta de energia: dobrou a mortalidade infantil e diminuiu expectativa de sobrevivência de crianças com câncer
Publicado 21/05/2026 12:20 | Editado 22/05/2026 17:58
O criminoso bloqueio econômico e energético a Cuba pelos Estados Unidos tem dobrado a mortalidade infantil na ilha. A grave situação foi denunciada na terça-feira (19) pela primeira vice-ministra da Saúde de Cuba, Tania Cruz, em discurso na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Suíça.
Segundo ela, o sistema de saúde cubano tem sido fortemente impactado, com o aumento na dificuldade nos cuidados de crianças e idosos, principalmente. Conforme a ministra, a intensificação da escassez de recursos, em especial de combustível, que gera energia ao país, é um “genocídio e merece a condenação de todos os membros da OMS”.
O país socialista é reconhecido internacionalmente pela forma exemplar como oferece saúde para o seu povo, assim como envia médicos para todo o mundo para atuar em situações extremas ou onde outros profissionais não querem ir.
Por décadas, Cuba registrou as menores taxas de mortalidade infantil das Américas e uma das menores do mundo. Porém, a intensificação do bloqueio econômico somada ao corte total do envio de combustíveis por outros países tem feito com que este índice suba. De acordo com o Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), entre 2017 e 2025, o endurecimento das sanções à ilha havia feito a mortalidade infantil crescer 148%, afetando cerca de 1.800 nascimentos.
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Mas agora a situação é ainda pior. Em 2026, desde que os EUA sequestraram Nicolás Maduro e cortaram o envio de combustível venezuelano, Cuba passou a conviver com escassez energética.
Como explicou Cruz, a instabilidade do fornecimento de energia atinge todo o país, e com hospitais e clínicas não é diferente. Com isso, a mortalidade infantil dobrou ao alcançar 9,9 por 1.000 nascidos vivos, bem como a taxa de sobrevivência de crianças com câncer despencou de 85% para 65%.
Cerca de 16 mil pessoas que realizam radioterapia e 3 mil que fazem hemodiálise também são atingidas. Esses tratamentos dependem de segurança energética para terem continuidade e, assim, proporcionarem efeitos positivos aos pacientes.
Para completar o cenário caótico criado pela administração de Donald Trump, a fila por cirurgias disparou e já ultrapassa 100 mil pessoas, sendo 12 mil crianças.
Mesmo com a grave situação, Cruz mostrou o brio do povo cubano: “Dentre os desafios, o sistema nacional de saúde não entrou em colapso. Continuaremos nos reorganizando com base na resiliência e na otimização dos recursos. Cuba resistirá.”
A Assembleia Mundial da Saúde é o órgão supremo de decisão da OMS, que se reúne anualmente em maio e tem a função de determinar políticas da organização. Confira a seguir a fala completa da vice-ministra da Saúde:
EEUU ha impuesto un bloqueo de combustible total a Cuba, que se suma a un bloqueo económico ya recrudecido. Es una acción con grave impacto en nuestro sistema de salud.
— Cancillería de Cuba (@CubaMINREX) May 19, 2026
🗣️ Intervención de la viceministra primera de salud, Dra. Tania Margarita Cruz en Asamblea Mundial de la Salud pic.twitter.com/Lv53hDebPM
Ao final do discurso, Cruz ainda agradeceu aos povos amigos que enviaram ajuda (entre eles estão México, Uruguai, China e Rússia) e destacou que a ilha caribenha não se furta a enviar ajuda a outras nações, como aconteceu no surto de Ebola na África Ocidental em 2014.
Brasil e reconhecimento da OMS
A vice-ministra da Saúde de Cuba, Tania Cruz, esteve com o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, durante o evento. Em suas redes, ela postou que foi acordado o trabalho conjunto para alcançar maior integração entre entidades médicas do Sul Global e fortalecer a cooperação científica entre os países.

Durante a assembleia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, entregou a Cuba um certificado que reconhece a manutenção da validação da eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV e da sífilis.
“Este é um reconhecimento à vontade de todo um país de salvaguardar a saúde de seu povo”, afirmou Cruz.
