Cerco migratório dos EUA na Copa prejudica seleção do Egito

Restrições de imigração da gestão Trump impõem barreiras logísticas e administrativas a seleções e arbitragem durante o Mundial de futebol

O triunfo histórico do Egito sobre a Nova Zelândia por 3 a 1, ocorrido em Vancouver, no Canadá, marcou a primeira vitória da seleção africana em Copas do Mundo após 92 anos de espera. No entanto, o clima de celebração liderado pelo atacante Mohamed Salah foi rapidamente atropelado pelo bloqueio diplomático fora das quatro linhas. O episódio revela as rígidas barreiras políticas e os constrangimentos impostos pelo governo de Donald Trump a delegações estrangeiras no megaevento esportivo.

A comissão técnica comandada por Hossam Hassan planejava seguir viagem diretamente de solo canadense para Seattle, nos Estados Unidos, palco do confronto decisivo da próxima rodada. O objetivo era fixar residência temporária na cidade para mitigar o desgaste físico dos atletas antes do jogo contra o Irã. Contudo, as autoridades de segurança norte-americanas recusaram sumariamente o pedido de permanência da equipe em Seattle, obrigando a delegação a retornar para sua base em Spokane, localizada a 450 quilômetros de distância.

Vistos negados e quarentena de circulação ao irã

O cerco burocrático e a triagem de nacionalidades promovidos por Washington afetam de forma ainda mais drástica a seleção do Irã, adversária direta dos egípcios no Grupo G. Devido aos severos embargos bilaterais, a delegação iraniana enfrenta uma espécie de quarentena de circulação em território estadunidense. Vistos foram negados a parte da comissão técnica e dirigentes  iranianos sob a justificativa de verificação de antecedentes. O regime imposto pela Casa Branca obriga os jogadores iranianos a realizar deslocamentos restritivos, cruzando as fronteiras sob rígidas janelas temporárias apenas para cumprir o calendário de jogos oficiais.

Deportação de árbitro da Somália na alfândega

No início do mês, o árbitro Omar Artan – que faria história como o primeiro somali a apitar uma Copa do Mundo – foi barrado por oficiais da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) logo após desembarcar no aeroporto de Miami. 

Mesmo portando documentação oficial e convite da entidade máxima do futebol, ele teve o visto cancelado e foi imediatamente deportado em um voo rumo à Turquia. Países do Chifre da África e nações do Oriente Médio integram a lista de restrições severas ou proibição total de viagens decretada por Washington.

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O atropelo das garantias de livre circulação asseguradas originalmente à Fifa acendeu o alerta em diversas federações. A insistência dos Estados Unidos em aplicar as restrições migratórias internas e triagem ideológica viola o compromisso de simplificação de procedimentos de entrada assinado para o torneio. 

A instabilidade institucional causada pela política de fronteiras de Trump transforma o controle de vistos em um elemento de ingerência direta na rotina, na logística e no equilíbrio técnico das seleções que disputam o principal torneio de futebol do planeta.

A seleção do Egito lidera de forma isolada o Grupo G com quatro pontos conquistados. Um empate diante do Irã na partida agendada para a próxima sexta-feira (26) assegurará aos egípcios uma vaga inédita na fase de mata-mata da competição.

Fotografia recomendada: Buscar em agências de foto livre (como Wikimedia Commons) ou perfis oficiais das federações imagens da delegação do Egito no vestiário de Vancouver ou do atacante Mohamed Salah durante a partida contra a Nova Zelândia.

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