Lula entrega máquina de radioterapia no SUS e exalta saúde na periferia

Na Zona Leste de SP, presidente recebeu novo acelerador linear. Ele ressaltou a qualidade do SUS e anunciou novos equipamentos e clínicas móveis

23.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Hospital Santa Marcelina, em São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta terça-feira (23) de uma cerimônia no Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo, para a entrega de um novo acelerador linear de radioterapia. O evento marcou o aporte de R$ 166 milhões em investimentos na unidade e a compra de 105 equipamentos de radioterapia para todo o país. Lula utilizou o discurso para exaltar a universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS), fazer críticas ao governo anterior e reafirmar seu compromisso eleitoral com as periferias e a classe trabalhadora.

“Melhor que a do presidente”

Lula adotou um tom emotivo e de prestação de contas, transformando a entrega de um equipamento médico em uma metáfora sobre igualdade social. Em determinado ponto de seu discurso, fez a revelação de que o acelerador linear instalado no hospital público da periferia paulistana é superior ao equipamento que ele mesmo utilizou recentemente em um hospital privado em Brasília, onde fez 15 sessões de radioterapia para tratar um câncer.

“A máquina em que vocês vão fazer radioterapia aqui na Zona Leste é muito mais moderna do que aquela que eu faço em Brasília”, afirmou o presidente, arrancando aplausos. Para Lula, o episódio simboliza a essência de seu projeto político: “Nós não estamos fazendo favor. Queremos que, independentemente do lugar onde mora, da cor, da religião ou do partido, todos tenham direito a um tratamento igual”.

O presidente traçou um paralelo histórico com as dificuldades do passado, lembrando de épocas em que “pessoas morriam por falta de R$ 5 para comprar remédio” e criticando as filas de espera por especialistas que podiam chegar a dez meses. “Nesse mundo nervoso, em que prevalece a mentira e o ódio, é muito importante chegar na Zona Leste e encontrar o amor”, disse, em uma fala que misturou críticas à polarização política, exaltação ao trabalho das irmãs da congregação Santa Marcelina e uma saudação afetuosa à histórica deputada Luiza Erundina (Psol), presente na plateia.

Lula também anunciou que, até o final do ano, 150 carretas do programa “Agora Tem Especialistas” e 800 vans odontológicas com impressoras 3D para próteses rodarão pelo país, buscando ativamente a população nas periferias e em estradas, sem esperar que o paciente vá até o hospital.

Fim das filas e a maior compra mundial de equipamentos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, resumiu o impacto técnico e estrutural das entregas. Segundo ele, o Brasil está realizando “a maior compra mundial” de aceleradores lineares (105 aparelhos em três anos), o que garante que todos os 27 estados da federação possuam agora centros de radioterapia.

Padilha destacou a redução drástica no tempo de espera no Hospital Santa Marcelina, que cairá de 45 dias para cerca de uma semana. O ministro também celebrou uma vitória na área de saúde da mulher: a criação de uma nova tabela do SUS para reconstrução mamária, que passou a pagar até oito vezes mais aos hospitais. “Pela primeira vez no SUS, fizemos mais cirurgias de reconstrução mamária do que mastectomias”, comemorou.

Parceria com filantrópicas e capilaridade nacional

A representante da Rede Santa Marcelina, Irmã Rosane, agradeceu os investimentos federais e destacou que o hospital, que atende uma região de 4,5 milhões de habitantes, dobrará a capacidade de atendimento em radioterapia, passando de 1.600 para 2.160 pacientes por ano.

O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou a importância da parceria entre o governo federal e as instituições filantrópicas. “O governo enxerga quem precisa, e quem precisa tem pressa. A velocidade salva vidas”, afirmou o médico, lembrando que a gestão Lula corrigiu a tabela do SUS anualmente e elevou o teto de financiamento da instituição.

A capilaridade da política federal foi demonstrada por transmissões ao vivo com outras regiões. No Ceará, o Secretário de Atenção Especializada à Saúde (SAES), Mozart Sales, celebrou um novo aparelho Halcyon, que aumenta em 30% a capacidade de atendimento. Em Sinop (MT), o representante do Hospital Santo Antônio emocionou-se ao relatar o fim de uma odisseia: pacientes do extremo norte do estado, que antes precisavam viajar até 2 mil quilômetros até Cuiabá para fazer radioterapia, agora serão tratados em sua própria região. A rede de saúde indígena também foi lembrada, com a confirmação de que o Cacique Raoni, recentemente atendido em Sinop, evolui bem.

O SUS como legado

A cerimônia no Hospital Santa Marcelina transcendeu o ato administrativo de compra de equipamentos. Para o núcleo político do governo, o ato reforça a narrativa central do governo Lula em 2026: a de que apenas o seu governo possui um projeto de inclusão social real para os mais pobres.

Ao levar a primeira-dama Janja (cuja influência na saúde da mulher foi citada por Padilha), ao focar na Zona Leste de São Paulo (a área mais populosa da capital) e ao contrastar ostensivamente a qualidade do SUS com a saúde privada, Lula tenta blindar seu maior legado histórico. A mensagem é clara para a periferia: o Estado não apenas chegou, mas trouxe o que há de mais moderno no mundo, garantindo que a cidadania e o direito à vida não sejam privilégios de quem pode pagar.

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