Keiko assegura vitória no Peru e recoloca fujimorismo no poder

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, candidata da ultradireita tem vantagem matematicamente irreversível e promete choque ultraliberal para a economia peruana

A candidata da ultradireita Keiko Fujimori assegurou nesta quarta-feira (24) uma vantagem matematicamente irreversível no segundo turno das eleições presidenciais do Peru e deverá retornar o fujimorismo ao Palácio de Governo mais de duas décadas após a queda do regime comandado por seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori.

Com 99,85% das urnas apuradas, Keiko soma 50,11% dos votos válidos e mantém uma diferença de 43.386 votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Segundo a autoridade eleitoral peruana (ONPE), restam apenas cerca de 40 mil votos a serem contabilizados, número insuficiente para alterar o resultado.

A proclamação oficial do vencedor ainda depende da conclusão dos procedimentos eleitorais e deve ocorrer apenas em julho, mas os números já colocam a líder do partido Fuerza Popular como próxima presidente do país andino.

A vitória representa o retorno ao poder do fujimorismo, corrente política liderada por Keiko Fujimori e herdeira do legado de Alberto Fujimori, ex-ditador condenado por crimes de corrupção e violações de direitos humanos.

Alberto Fujimori governou o país entre 1990 e 2000 e ficou marcado pelo autogolpe de 1992, quando dissolveu o Congresso e concentrou poderes no Executivo. 

Posteriormente, foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e por sua responsabilidade nos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, além de denúncias relacionadas a esterilizações forçadas de mulheres indígenas.

Keiko iniciou sua trajetória política dentro do próprio regime fujimorista. Aos 19 anos, assumiu o papel de primeira-dama após a separação de seus pais e, desde então, construiu sua carreira como herdeira política do movimento criado pelo pai.

Depois de três derrotas consecutivas em disputas presidenciais, a dirigente da ultradireita conseguiu capitalizar o desgaste das instituições peruanas e o aumento da insegurança pública para alcançar a Presidência.

Durante a campanha, Keiko deixou de tentar se afastar do legado paterno e passou a reivindicá-lo abertamente. 

Em diversos atos eleitorais, afirmou que pretende recuperar a “ordem” associada ao período fujimorista e chegou a declarar que o Peru precisava novamente da mesma “força” utilizada por seu pai contra os grupos armados que atuavam no país nas décadas de 1980 e 1990.

Choque ultraliberal

O programa econômico de Keiko retoma a tradição neoliberal associada ao fujimorismo. A candidata promete reduzir regulações sobre empresas, ampliar garantias ao capital privado, acelerar privatizações parciais e aprofundar a abertura da economia peruana ao investimento estrangeiro.

A plataforma inclui a venda de ativos da estatal Petroperú, expansão das parcerias público-privadas e uma política de austeridade fiscal voltada à redução dos gastos públicos. 

A campanha apresenta as medidas como instrumentos para estimular investimentos, enquanto críticos apontam riscos de enfraquecimento da capacidade de intervenção do Estado na economia.

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