Teresa Leitão assume a liderança do governo no Senado após saída de Jaques Wagner
Parlamentar pernambucana assume a articulação do Palácio do Planalto com foco em pautas populares, como o fim da jornada 6×1 e a PEC da Segurança
Publicado 25/06/2026 12:48 | Editado 25/06/2026 13:04
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (25), a escolha da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado Federal. A parlamentar pernambucana assume o posto que ficou vago após o afastamento do senador Jaques Wagner (PT-BA), anunciado no dia anterior.
De acordo com o chefe do Executivo, a nova líder terá como missão central articular o debate e acelerar a tramitação de pautas de forte apelo popular, com destaque para a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6 por 1 e o projeto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Perfil da nova líder
Primeira mulher eleita para o Senado por Pernambuco, em 2022, Teresa Leitão possui uma longa trajetória na defesa da educação pública e dos direitos dos trabalhadores. Antes de chegar ao Congresso Nacional, onde exerce seu primeiro mandato e já atuava como líder da bancada do PT na Casa desde abril, ela cumpriu cinco mandatos consecutivos como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), entre os anos de 2003 e 2023.
A escolha de uma parlamentar que não disputará o pleito majoritário nas eleições de 2026 confere estabilidade técnica e foco exclusivo à articulação política do Palácio do Planalto no Senado durante o ciclo eleitoral.
Saída de Jaques Wagner
A transição na liderança foi consolidada após o senador Jaques Wagner anunciar oficialmente, na quarta-feira (24), que deixaria o cargo. A decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Lula, após reunião realizada no Palácio da Alvorada.
Em nota publicada em suas redes sociais, o senador baiano destacou o caráter amistoso do encontro, classificando-o como uma conversa entre amigos, e reafirmou seu compromisso com o projeto coletivo do campo progressista.
O parlamentar pontuou que, neste momento, sua prioridade absoluta é se dedicar à sua defesa jurídica para provar sua inocência, além de focar nas campanhas eleitorais de 2026.
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Wagner ressaltou o empenho na reeleição do presidente Lula e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, bem como na disputa por sua própria reeleição ao Senado, ao lado do ex-governador Rui Costa.
Ele concluiu afirmando que, com humildade e muito trabalho, as forças progressistas renovarão o compromisso com o projeto político que vem promovendo transformações sociais na Bahia e no Brasil.
Contexto da decisão
Jaques Wagner exercia a liderança do governo no Senado desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023. A movimentação de afastamento acontece dias após uma operação da Polícia Federal, realizada em 18 de junho, que incluiu buscas e apreensões em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador, no âmbito de investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Wagner nega categoricamente qualquer irregularidade, afirma estar absolutamente tranquilo e sua defesa já protocolou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular as medidas, reiterando que provará a regularidade de seus atos nos trâmites legais.
Implicações políticas
Do ponto de vista da articulação política do Planalto, a substituição rápida e a saída consensual de Wagner são vistas por aliados como um movimento estratégico para preservar o núcleo político do governo e permitir que o senador concentre energias em sua defesa e na consolidação de palanques eleitorais sólidos.
A Bahia, tradicional reduto político do campo progressista, mantém-se como peça-chave no cenário de 2026. Aliados destacam que a longa experiência de Wagner – ex-governador, ex-ministro e articulador central – garante que ele continuará contribuindo ativamente para a sustentação do projeto governista, enquanto a bancada no Senado segue mobilizada sob a nova liderança para assegurar o avanço da agenda social e econômica do governo federal.