Brasil tem 5,6% de desemprego, menor taxa da série histórica
População desempregada está em 6 milhões e a empregada supera os 102 milhões. Situação mostra mercado com tendência estrutural de aquecimento, segundo analista do IBGE
Publicado 26/06/2026 11:18 | Editado 26/06/2026 12:42
A taxa de desemprego no trimestre encerrado em maio de 2026 caiu para 5,6% e é mais baixa para o período desde 2012, quando começou a série histórica. O índice está 0,6 ponto percentual (pp) menor do que os três meses anteriores, quando foi de 6,2%. Os dados fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Mensal, divulgada nesta sexta-feira (26) pelo IBGE.
“A estabilidade na variação é sazonal, pois é o período em que os setores começam a olhar para o segundo semestre, mas atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, explica o analista da pesquisa, William Kratochwill.
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Com isso, a população desempregada ficou em 6,1 milhões — entre dezembro de 2025 e fevereiro deste ano, foi de 6,2 milhões. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando o número estava em 6,7 milhões, a queda foi ainda maior, de 9,3%, o que significa menos 624 mil pessoas nessa situação.
Quanto à população empregada, que soma 102,7 milhões, houve alta de 0,5% no trimestre — acréscimo de 558 mil pessoas trabalhando — e de 0,8% no ano — ou, mais 840 mil.
Considerando esses dados, o IBGE aponta que o nível de ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi de 58,6%, com variação de 0,2 p.p. no trimestre (58,4%) e estabilidade no ano (58,6%).
Tipos de emprego e rendimento
A Pnad mostra, ainda, estabilidade frente ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2025 no contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada (excluindo os domésticos), estimado em 39,3 milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, o segmento de empregados no setor privado sem carteira assinada (13,4 milhões) também apresentou estabilidade nas duas comparações. O mesmo ocorreu com trabalhadores por conta própria, formados por 26 milhões de pessoas, e com os empregadores (4,2 milhões de pessoas).
O levantamento ressalta que no caso dos trabalhadores domésticos, o grupo teve estabilidade frente ao trimestre de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, mas na comparação com o mesmo trimestre do ano passado teve queda de 328 mil postos de trabalho.
“Em cenários de baixa desocupação, o custo de oportunidade dessa força de trabalho aumenta, gerando uma migração estrutural para postos formais em outras atividades, que oferecem melhores salários, condições de trabalho e garantias”, pondera Kratochwill.
No caso do setor público, houve crescimento de 3,6% no número de empregados (inclusive servidores estatutários e militares), estimado em 13,1 milhões de pessoas, frente ao trimestre anterior.
De acordo com o IBGE, também houve aumento de rendimento na comparação com o período de março a maio de 2025. Os trabalhadores CLT tiveram um acréscimo de 3%, ou mais R$ 99; os domésticos, 3,8%, ou mais R$ 52; e os por conta própria tiveram uma elevação de 4,4%, ou mais R$ 130.
Subutilização
No que diz respeito à taxa de subutilização, houve queda de 0,88 pp frente ao trimestre anterior, ficando em 13,3%. Em um ano, a redução foi de 1,6 pp.
“Esse é o patamar mais baixo desde o início da série histórica e vem acompanhada por quedas em outros indicadores similares como: população subutilizada (15,1 milhões), que caiu 5,7% no trimestre (menos 920 mil) e recuou 11,3% no ano (menos 1,9 milhão de pessoas subutilizadas), e a população subocupada por insuficiência de horas (4,1 milhões), que caiu 5,7% no trimestre (menos 251 mil pessoas) e recuou 10,6% no ano (4,6 milhões)”, aponta a pesquisa.