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El Salvador: ex-militares acusados de massacre se entregam

Ex-militares de El Salvador acusados de uma matança de sacerdotes jesuítas em 1989 apresentaram-se a uma unidade das forças armadas nesta segunda-feira (8), segundo informações do jornal digital El Faro.

Citando fontes que conhecem o processo, o jornal assegura que os ex-oficiais buscam evadir o cumprimento de uma ordem de captura emitida pelo juiz espanhol Eloy Velasco à Polícia Internacional (Interpol).

Um dos informantes, que pediu manter em reserva sua identidade, explicou que após uma reunião, os ex-oficiais se entregaram ontem às 18 horas (horário local) no antigo quartel da ex-Guarda Nacional, "e estão sob resguardo militar".

Esta última notícia gerou reboliço em meios políticos e de imprensa, mas até o momento não foi negada nem confirmada por fonte alguma.

O general aposentado e porta-voz dos acusados Mauricio Vargas disse desconhecer esses acontecimentos, durante uma extensa entrevista cedida na manhã desta segunda-feira (8) à Telecorporação Salvadorenha (TCS), a maior empresa de televisão do país.

Segundo a TCS, o resguardo militar aos oficiais não foi negado nem confirmado pelo Ministério de Defesa, onde lhe informaram que o titular da pasta, general David Munguía, foi a uma reunião na Casa Presidencial.

Jornalistas do Faro foram ao quartel, que atualmente sedia a Brigada de Segurança Militar, mas o pessoal de guarda negou que alguns dos processados na Espanha tivessem se apresentado.

Comissão da Verdade

O massacre dos sacerdotes jesuítas, entre eles o então reitor da Universidade Centroamericana José Simeón Canas, Ignacio Ellacuría, ocorreu no dia 16 de novembro de 1989, na própria universidade.

As investigações da Comissão da Verdade estabeleceram em 1993 a culpabilidade dos comandos militares pelos assassinatos e inclusive o encobertaemnto desta pelo então presidente Alfredo Cristiani.

Pouco depois de divulgado o relatório da Comissão, a Assembleia Legislativa da época aprovou uma lei de anistia para amparar os delitos cometidos durante o conflito armado (1980-1992). Fonte: Prensa Latina