União é leniente em busca por ossadas no Araguaia, diz juíza
Responsável por condenar a União desde 2003 na busca pela ossadas dos mortos na Guerrilha do Araguaia, a juíza Solange Salgado, da Justiça Federal de Brasília, diz que o governo tem sido leniente na procura.
Publicado 07/03/2012 09:23
"No governo, pelo que se extrai, é que ainda não chegou a hora de entregar os corpos [dos guerrilheiros]. […] O grupo [de buscas] foi feito, inseriu os familiares, mas aonde se precisa ir no Araguaia não se vai", disse a juíza.
Organizado pelo PCdoB, o conflito foi o maior foco da luta armada contra a ditadura militar. Cerca de 70 dos guerrilheiros foram mortos, mas só dois foram identificados até hoje.
Segundo Salgado, a atuação do GTA (Grupo de Trabalho Araguaia), iniciado em 2009, não evolui por causa de um "pacto de silêncio" selado por militares que atuaram no conflito. Ela diz que o acordo tem a anuência do comando do Exército.
O pacto foi revelado pelo militar Lício Augusto Ribeiro no livro "O Coronel Rompe o Silêncio", do jornalista Luiz Marklouf Carvalho. Ribeiro participou das campanhas contra os guerrilheiros.
"Dois dos cinco militares que fizeram esse pacto me disseram que estão dispostos a falar, mas dependem da autorização do comandante do Exército. O Ministério da Defesa, que trata dessa questão, ainda não me respondeu."
"Precisamos de uma participação mais efetiva do governo, que está tendo um gasto imenso, e os objetivos não estão sendo alcançados", afirmou a juíza. "Precisamos inclusive de uma contribuição maior da Presidência, que é chefe máxima das Forças Armadas."
De acordo com Salgado, se a situação não mudar, a Justiça Federal e o Ministério Público, parceiros do GTA, farão um "caminho independente" de buscas na Amazônia.
Fonte: Folha de S. Paulo