Livro celebra a Amazônia em imagens e memória
Lançado pelo Senado Federal durante a COP30, o livro reúne registros do fotógrafo Leonide Principe e reafirma o papel do Brasil na defesa do bioma e da justiça climática.
Publicado 13/11/2025 10:34 | Editado 14/11/2025 12:53
A Amazônia será apresentada ao mundo sob uma nova lente durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. O Conselho Editorial do Senado Federal, em parceria com o Acervo PhotoAmazonica, lança o livro 30 Anos de Floresta – A Amazônia na Fotografia e Diários de Bordo de Leonide Principe, obra bilíngue que marca três décadas de registros visuais e narrativos sobre o bioma.
O lançamento ocorre em dois momentos: neste sábado (15) às 12h, no estande da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), na Zona Verde; e na terça-feira (18) às 16h, no estande do Tribunal de Contas da União (TCU), na Zona Azul da COP30.
Amazônia em foco
Segundo o presidente do Conselho Editorial do Senado, senador Randolfe Rodrigues, a escolha da COP30 para o lançamento reflete o simbolismo de levar a arte e a reflexão ambiental ao coração da floresta. “Essa obra revela a beleza e a força da Amazônia, por meio da fotografia. É uma obra que celebra três décadas de um olhar muito sensível sobre a diversidade e a beleza de nossa floresta, valorizando não somente a biodiversidade, mas também a memória ambiental da região”, destacou.
Para o senador, a importância da obra está em sua capacidade de unir o monumental e o detalhado. “Ela revela a imponência do rio Amazonas e, ao mesmo tempo, os detalhes do diferencial dessa floresta, onde os rios nascem no Acre e no Amazonas. É uma obra que traz registros como da Orla de Macapá e da Pedra do Guindaste de São José de Macapá. Não se pode falar em Amazônia no singular — são Amazônias, no plural — porque se trata do maior aquífero do planeta. A condição de superlativos que reúne a maior floresta tropical do mundo e o maior berço de espécies do planeta não poderia se resumir em uma só definiçã”, completou Randolfe.
Três décadas de floresta e memória
O fotógrafo ítalo-francês Leonide Principe dedicou mais de 30 anos à documentação da Amazônia, construindo um acervo com mais de 100 mil imagens que retratam a vida, a cultura e a biodiversidade da região. O livro — com curadoria da jornalista e pesquisadora Juliana Mitoso Belota — foi publicado no âmbito da Coleção COP30, série editorial do Senado que visa ampliar o debate climático com perspectivas científicas, literárias e educativas.

Em suas páginas, 30 Anos de Floresta combina fotografia e narrativa pessoal, transformando a observação da floresta em relato histórico e poético. Nas palavras de Belota, trata-se de uma obra que “mantém viva a chama da memória, no campo do esquecimento”, convidando o leitor a refletir sobre a Amazônia como “linguagem viva, espiritual e política”.
Em seu depoimento, o fotógrafo resume a longa jornada que resultou na obra. “Fico pensando por quê estou aqui e uma linha do tempo se desenha na minha cabeça: longas trilhas em sub-bosques, escaladas em árvores emergentes, ousados voos de ultra-leve, de helicóptero, demoradas navegações por rios infinitos… tudo isso flui como um buraco de minhoca, desde o desembarque naquele pátio absurdamente quente do aeroporto de Manaus, em 1989, e se comprime até o presente momento. Se estou aqui, é por causa de todos os acontecimentos, aventuras e percepções que guardei no acervo fotográfico, agora disponível, em signo de gratidão, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, ao uso irrestrito da arte e da cultura.”
Da fotografia à plataforma digital
A publicação é a expressão física do Acervo PhotoAmazonica, plataforma multilíngue (em português, inglês, francês e chinês) hospedada no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (SEC/AM). O projeto utiliza o software Tainacan, desenvolvido pelo Ibram e organiza o vasto material em sete categorias temáticas — Fauna, Flora, Gente, Pesquisa, entre outras —, tornando-se ferramenta pedagógica gratuita e acessível globalmente (https://leonideprincipe.photos).
“O Acervo PhotoAmazonica privilegia a beleza e a arte de viver dos povos da floresta; é um manual prático sobre o cotidiano onde ruas são rios. Mais do que dados sobre desmatamentos e outros crimes ambientais, é uma mostra dos significados da floresta em pé”, define a curadora Juliana Belota. “É um must da arte visual na Amazônia, e vale a navegação em sua plataforma digital, que traz o que há de mais apropriado em tecnologias museológicas, a exemplo do Programa Acervo em Rede, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), através do sistema Tainacan.”
Apoio institucional e diálogo cultural
A obra conta com apoio do Ministério da Cultura (MinC), responsável por viabilizar a participação de Leonide Principe e de Juliana Belota nas atividades da COP30, reafirmando o compromisso do Governo Federal com a difusão da ciência e da cultura amazônica.
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O projeto ainda integra ações do Senado Federal e da Secretaria de Cultura do Amazonas (SEC/AM), que abriga o acervo em seu espaço museológico. Mais que um livro, “30 Anos de Floresta” é um gesto político e artístico — um retrato sensível da floresta e de seus povos em um momento em que a Amazônia assume protagonismo no debate global sobre o clima e a justiça ambiental.
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