Eleições de 2026 devem trazer impacto positivo para a economia brasileira

Ciclo econômico-político insere mais dinheiro na economia, o que deve acelerar crescimento e assegurar resultados positivos já conquistados pelo governo Lula

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Nós temos hoje a menor inflação acumulada em quatro anos. Hoje, nós temos o maior crescimento do salário mínimo, o maior crescimento da massa salarial deste país. Hoje, nós temos o menor desemprego da história deste país. E hoje, nós temos o menor índice de pobreza de todos os 525 anos de história desse país. Por uma razão muito simples, o dinheiro está chegando na mão do povo”, afirmou o presidente Lula, durante evento no polo automotivo de Horizonte, no Ceará, no início de dezembro.

Com essa perspectiva o Brasil irá iniciar 2026, um ano que será marcado por eleições gerais em que o presidente Lula é pré-candidato à reeleição para dar prosseguimento a essas conquistas.

Mas depois de dois anos de crescimento econômico forte, com PIB (Produto Interno Bruto) acima dos 3%, 2025 não deverá alcançar este patamar, ainda que supere os 2% — um verdadeiro feito dado o freio dos juros impostos ‘goela abaixo’ pelo Banco Central.

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No entanto, a projeção para o ano eleitoral é de fortalecimento. Conforme explicam os professores José Luis Oreiro, do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília), e Marcelo Manzano, do Instituto de Economia (IE) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a movimentação em torno do pleito representa maior injeção de dinheiro na economia, influenciando positivamente o crescimento econômico, caso não se sobreponham outras situações.

“É o ciclo econômico-político, quer dizer, todo ano de eleição é um ano em que a economia tende a crescer mais, porque os governos, tanto o federal como os estaduais, gastam mais, então isso tende a acelerar o crescimento. De fato, eu acredito que o crescimento em 2026 será maior do que o crescimento em 2025, a não ser que ocorra um cenário de crise financeira. Aí realmente a coisa complica bastante”, entende José Luis Oreiro ao citar eventual crise de endividamento impulsionado pelos juros altos.

Compactua com esse entendimento o professor da Unicamp: “A eleição sempre abre espaço para algum impulso no crescimento econômico por conta de gastos dos governos em todos os seus níveis. Nos governos estaduais que terão reeleição, a tendência é que os governadores realizem gastos mais vultosos e mais vistosos para mostrar serviço, então isso tende a dar algum fôlego à economia”, diz Marcelo Manzano.

Ele também pondera que o ano eleitoral pode ser de “retorno à normalidade”, classificado como “voo de cruzeiro”, ainda que seja um voo econômico baixo, porém estável. Nesse sentido, elenca como condicionantes para este quadro a inflação dentro da meta (como já está) e um cenário internacional mais tranquilo — ao menos o que se apresenta até agora em comparação com anos anteriores —, junto a outros fatores econômicos nacionais.

“Esses fatores reunidos sinalizam um ano de 2026 em voo de cruzeiro, eu diria. Com tudo mantido razoavelmente estável, a economia crescendo aproximadamente como cresceu em 2025, provavelmente o mercado de trabalho seguirá aquecido, o desemprego baixo, a renda dos assalariados deve ter algum salto no ano que vem e o salário mínimo seguir crescendo em termos reais, isso é sempre uma injeção de gastos importantes na economia. Mas é um voo de cruzeiro, um voo baixo, mas seguimos. Sem maiores percalços e sem grandes espaços para um crescimento mais elevado, o que seria muito desejável”, compreende o economista.

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