Fundos do caso Banco Master têm conexão com operação da PF que mira o PCC
BC aponta lavagem de R$ 11,5 bi em operações que escondiam verbas ilícitas e simulavam lucros com papéis sem valor
Publicado 09/01/2026 15:39 | Editado 12/01/2026 23:04
A investigação do Banco Central, trazida a público pela reportagem da Folha de S.Paulo, expõe como o Banco Master, sob a liderança do banqueiro Daniel Vorcaro, teria operado uma sofisticada rede de fraudes que não apenas drenou recursos institucionais, mas também se entrelaçou com o núcleo financeiro da facção criminosa PCC. No epicentro dessa teia estão seis fundos de investimento — Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna — que, sob a gestão da parceira Reag, movimentam um patrimônio líquido colossal de R$ 102,4 bilhões.
O cruzamento de dados revela que esses mesmos fundos são peças centrais na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025 para combater a infiltração do crime organizado na economia formal. Enquanto o Banco Central aponta o desvio de pelo menos R$ 11,5 bilhões através de uma “ciranda financeira”, a PF investiga como tais operações serviram para lavar capitais ilícitos oriundos de setores como o de combustíveis.
A estrutura da fraude utilizava empréstimos do Banco Master a empresas de fachada que, em uma triangulação imediata, aportavam os recursos nos fundos da Reag. Isso permitia ao gestor adquirir “ativos podres” — especificamente cártulas (documentos físicos) de ações do extinto Besc — por valores astronômicos e irreais, inflando artificialmente o patrimônio dos fundos.
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Essa alavancagem contábil permitia que o grupo mantivesse uma aparência de solidez perante os órgãos reguladores e respeitasse formalmente os limites bancários de Basileia, enquanto o lucro real era distribuído para carteiras em nome de “laranjas”.
A capilaridade desse capital demonstra a audácia do esquema, que financiava desde debêntures da própria Reag até a residência de Vorcaro em Brasília e a participação na SAF do Clube Atlético Mineiro, via fundo Galo Forte. O castelo de cartas ruiu quando a denúncia do BC sobre a fraude nos fundos somou-se à investigação sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao Banco de Brasília (BRB). O conjunto das evidências fundamentou a prisão preventiva de Vorcaro em novembro de 2025, ocorrida no momento em que ele tentava deixar o país.
Até o momento, o Banco Master mantém-se em silêncio. A Reag, embora tenha sido alvo de busca e apreensão na operação que mirou o PCC, alega não ter tomado conhecimento formal da denúncia do Banco Central, em um cenário que acende o alerta máximo sobre a fiscalização do dinheiro que circula nos bastidores do poder econômico brasileiro.